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41 anos de democracia dão a Lula uma nova chance

Onze partidos reconheceram a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro nas eleições de 2026. Com 100% das urnas apuradas, o petista recebeu 51,79% dos votos válidos. (Foto: Instagram)

Com a reeleição em 2026, Lula poderá somar 16 anos e 4 dias na Presidência se concluir o novo mandato, previsto para terminar em 5 de janeiro de 2031. (Foto: Instagram)

O Brasil foi às urnas e elegeu 1.035 deputados estaduais, 24 deputados distritais, 27 governadores, 54 senadores e um presidente da República. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito para comandar o país pelos próximos quatro anos. Seu quarto mandato começa em 5 de janeiro de 2027.

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A atual etapa democrática brasileira teve início em 15 de março de 1985, há 41 anos. Naquele dia, Tancredo Neves (1910-1985) deveria tomar posse, mas foi internado às pressas com diverticulite, e José Sarney assumiu a Presidência. O caminho até aqui teve obstáculos: Sarney era civil, mas havia presidido a Arena, partido que apoiou a ditadura militar (1964-1985). O país realizou dez eleições diretas para presidente e enfrentou dois impeachments.

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Um episódio recente voltou a expor as turbulências institucionais: no domingo, 25 de outubro de 2026, no fim da tarde, o ministro do STF Cristiano Zanin determinou a prorrogação da votação por duas horas, pouco antes das 17h, quando as urnas já eram fechadas. Felizmente, a medida extemporânea não provocou consequências capazes de alterar o resultado. Ainda assim, decisões intempestivas afetam a institucionalidade e ajudam a alimentar a divisão política.

As taxas de aprovação do Supremo Tribunal Federal, do Congresso e do Executivo são baixas, enquanto os atritos entre os Poderes mantêm a beligerância no ambiente político. Em um regime presidencialista, cabe ao ocupante do Palácio do Planalto liderar a pacificação. Esse será um dos maiores desafios de Lula: criar uma relação mais harmoniosa entre Executivo, Legislativo e Judiciário.

Após a vitória de Lula em 2022, o empresário Abílio Diniz (1936-2024) fez um apelo para que o presidente eleito unisse o país, promovesse crescimento, criasse empregos, melhorasse a distribuição de renda e reduzisse a desigualdade. Nos quatro anos seguintes, porém, Lula não pacificou o ambiente político. Apesar de ter prometido governar com uma frente ampla, as relações entre os Poderes ficaram mais agressivas e menos civilizadas.

No discurso de vitória de domingo à noite, Lula voltou a dizer que governaria para todos e que, encerrada a eleição, já não havia adversários. Mas também chamou o derrotado Flávio Bolsonaro (PL) de “representante genuíno do milicianismo” e afirmou que ele não tinha “uma célula de humanismo”. Ainda ironizou a má fase do Corinthians, seu time: “O Corinthians está parecendo o Bolsonaro: só perde”.

Saber vencer pode ser mais difícil do que saber perder. Em 1635, Diego Velásquez terminou “A Rendição de Breda”, quadro encomendado pelo rei Filipe 4º e hoje exposto no Museu do Prado, em Madri. A obra retrata a vitória de Ambrósio Spínola sobre Justino de Nassau, governador de Breda. No primeiro plano, o comandante espanhol parece impedir que o derrotado se ajoelhe ao entregar a chave da cidade; as lanças dos vencedores aparecem erguidas, sem ameaçar os vencidos.

Não se sabe se a cena retratada por Velásquez aconteceu como foi pintada. Nas disputas políticas brasileiras, porém, os vencedores raramente demonstram magnanimidade, e a vontade de revanche alimenta a hostilidade entre os Poderes. Os 41 anos de democracia oferecem a Lula uma nova oportunidade. Aos quase 81 anos — que completa em 27 de outubro —, ele chega ao quarto mandato como o político mais vitorioso desse período e dispõe de grande capital político.

Na campanha e no discurso da vitória, Lula deu poucos sinais de como pretende enfrentar o aumento acentuado dos gastos públicos. Ainda assim, tem quatro anos para demonstrar que governará para todos, sem estimular o “nós contra eles”. Pode buscar mais harmonia política, crescimento sustentável, responsabilidade fiscal e uma economia aberta e favorável aos negócios.

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