
Análise atribui derrota de Flávio Bolsonaro a escolhas da campanha e a episódios que afastaram eleitores indecisos (Foto: Instagram)
As avaliações a seguir são opiniões pessoais sobre as escolhas da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), não uma análise da disputa inteira. A decisão de Jair de indicar o filho como sucessor, buscando alguém que pudesse tirá-lo da cadeia, foi o principal erro. Tarcísio de Freitas parecia um candidato mais forte e capaz de formar uma coalizão maior, mas a escolha arriscava a Presidência para manter o governo de SP garantido. Flávio também precisava da bênção do pai para mobilizar seus eleitores.
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No início, Flávio evitou erros da campanha derrotada de Jair em 2022: não atacou as urnas nem as vacinas e não insistiu em armas, temas sem apoio majoritário. Também usou menos a imagem do pai, cuja rejeição poderia afetá-lo. O resultado do 1º turno superou as pesquisas e elegeu representantes da direita para o Legislativo e governos estaduais. A confiança na vitória cresceu, embora eleitores brasileiros não apreciem comemorações antecipadas — como sugere a “maldição da cadeira” de FHC.
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Depois do 1º turno, Pablo Marçal ganhou espaço e apareceu hostilizando indecisos e dispensando eleitores de Renan Santos. A campanha parecia tratar como dispensáveis 3 milhões de votos, apesar de enfrentar alguém que já foi presidente 3 vezes. Em menos de uma semana, Flávio falou em mudar a Constituição e prometeu que o pai lhe entregaria a faixa presidencial, embora a tradição reserve esse gesto ao presidente em exercício. Em 2022, Jair deixou o país e não passou a faixa.
No 1º debate presidencial, Flávio concentrou-se em ataques e ofensas, adotando estilo e conteúdo associados a Marçal. Como não havia participado de debates no primeiro turno, aquela foi a primeira impressão de muitos eleitores, e as pesquisas de percepção indicaram resultado desfavorável. No segundo turno, mudou de pauta, reproduziu propostas de Lula e apresentou ideias como o calote nas dívidas bancárias. Também passou de críticas ao fim da escala 6 X 1 a apoio discursivo e deixou de detalhar o corte de R$ 200 bilhões que havia prometido.
O vídeo de Nikolas Ferreira sobre o Nordeste, com estereótipos e a imagem de que a direita salvaria a região sem apresentar resultados, e os vazamentos da gravação foram mal recebidos. Outros episódios também poderiam afastar indecisos: deputados-influencers chamando pessoas de desempregadas, pedidos de bomba atômica no Brasil e um parlamentar levando uma pessoa negra acorrentada a uma manifestação. Também vieram à tona suspeitas de crimes, vínculos e transações não explicadas envolvendo Flávio. O histórico, conhecido por políticos de destaque da direita, contrastava com a imagem de mudança.
As posições anteriores de Flávio, como votar contra a licença-maternidade e apoiar o fim da marcação de munições, também pesaram. No segundo debate, usou os 9 dedos de Lula como insulto. Depois pediu desculpas, algo que agradou indecisos, mas desagradou bolsonaristas; em seguida, chamou a mãe de Ana Clara pelo nome da filha assassinada. Para a campanha, os erros começaram com o ego de Jair; Flávio evitou temas impopulares do pai e foi melhor que o esperado no primeiro turno, mas depois revelou mais de seu caráter.
Dos 14 milhões de votos a mais destinados aos dois candidatos no segundo turno, 10 milhões foram para Lula. Agora, Flávio quer contestar o resultado, embora menos de 50.000 votos tenham sido registrados entre 17h e 19h, e sua derrota tenha sido de 4,4 milhões de votos. Não há margem para reverter o resultado, como sabem o PL e os aliados eleitos de Flávio. A avaliação negativa de seu caráter, formada pela maioria dos brasileiros, acabou reforçada.








