Ex-militar condenado na Itália é preso pela Polícia Federal

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Ex-oficial uruguaio condenado por homicídios ligados à Operação Condor é preso no Brasil (Foto: Instagram)

A Polícia Federal prendeu Pedro Antonio Narbondo Mato, ex-oficial do Exército uruguaio condenado por homicídios ligados à Operação Condor, em Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul. A detenção ocorreu após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizar que a pena seja cumprida no Brasil.

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Na última quarta-feira (21), a Corte Especial do STJ reconheceu a sentença da Justiça italiana e determinou que a prisão perpétua fosse convertida em 30 anos de reclusão, com cumprimento imediato. A condenação refere-se aos homicídios qualificados de quatro cidadãos italianos na Argentina, em junho de 1976. A pena tornou-se definitiva em julho de 2021, após o encerramento das possibilidades de recurso, conforme o tribunal.

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Depois de ser localizado pelos agentes federais, Narbondo Mato passou pelos procedimentos legais para cumprimento da decisão. Em seguida, foi levado a uma unidade prisional, onde permanecerá sob custódia e à disposição das autoridades judiciais responsáveis pelo caso.

A Operação Condor formou uma rede secreta de cooperação entre governos autoritários sul-americanos, sobretudo nas décadas de 1970 e 1980. Segundo informações do STJ, os regimes compartilhavam dados sobre opositores e coordenavam ações repressivas, como sequestros, tortura e assassinatos. A atuação da aliança ocorreu em um período de perseguição política e graves violações de direitos humanos no Uruguai.

A execução da pena no Brasil foi solicitada porque a extradição não é permitida para brasileiros natos. Embora tenha nascido no Uruguai, Narbondo Mato teve a nacionalidade brasileira reconhecida pela Justiça Federal em 2003, por ser filho de mãe brasileira. Com base em acordos de cooperação entre Brasil e Itália e na Lei de Migração (Lei nº 13.445/2017), as autoridades italianas pediram que a condenação fosse cumprida em território nacional.

O ministro do STJ Sebastião Reis Júnior afirmou que a transferência da execução penal é um mecanismo de cooperação jurídica internacional que permite ao Brasil executar condenações impostas por outros países quando a extradição não pode ocorrer. Na análise do caso, o relator citou o precedente do ex-jogador Robinho, no qual a Corte Especial reconheceu a constitucionalidade desse procedimento. O Supremo Tribunal Federal (STF) também respaldou o entendimento de que a transferência da execução tem natureza própria e não se confunde com extradição.

A defesa de Narbondo Mato contestou o reconhecimento da sentença e invocou, entre outros argumentos, a Lei da Anistia (Lei nº 6.683/1979). Os advogados sustentaram que a norma concedeu anistia a crimes políticos praticados entre 1961 e 1979, intervalo que inclui os fatos atribuídos ao ex-militar. O STJ, ao examinar o processo, considerou os instrumentos legais de cooperação que permitem executar sentenças criminais estrangeiras no país.