
Flávio Bolsonaro afirmou que recorrerá à Justiça para tentar anular a eleição, após perder o segundo turno para Luiz Inácio Lula da Silva. O senador contestou a prorrogação do horário de votação. (Foto: Instagram)
Após perder o segundo turno para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) se recusou a reconhecer o resultado das urnas e anunciou que pedirá a anulação da eleição. Lula recebeu 51,79% dos votos, contra 48,21% do senador, uma diferença de cerca de 4,4 milhões de votos. Flávio classificou o desfecho como inaceitável e uma “sacanagem”.
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Depois da divulgação da votação, Flávio afirmou que recorrerá à Justiça para tentar anular a eleição encerrada no domingo (25/10). Ele disse que não poderia reconhecer o resultado diante das circunstâncias e que a decisão de prorrogar o horário de votação teria mudado as regras durante o processo. A distância entre os candidatos foi de 3,5 pontos; no primeiro turno, o senador havia terminado 1,87 ponto à frente de Lula.
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A contestação de Flávio teve como foco a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de estender por duas horas o período de votação em todo o país. A medida atendeu a um pedido do PT, que apontou dificuldades de deslocamento de eleitores em diversas cidades por falta de ônibus. A prorrogação foi vista como uma tentativa de evitar a supressão de votos.
A decisão, inédita, foi divulgada pelo Supremo um minuto depois das 17h, quando milhares de seções eleitorais já haviam sido fechadas. O anúncio gerou dúvidas entre mesários e chefes de seção, e a divulgação da apuração atrasou duas horas. Embora o ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e considerado aliado do bolsonarismo, também tenha determinado uma prorrogação semelhante, Flávio manteve as críticas. Ele alegou que a medida rompeu a isonomia entre eleitores de diferentes cidades e estados e disse que não teria como saber quantos votos poderia ter recebido onde as urnas não foram reabertas.
O PL também havia solicitado, no início da tarde, a extensão do horário em 17 municípios, sob o argumento de que chuvas e alagamentos prejudicaram a circulação de eleitores. Ao anunciar o resultado, Nunes Marques afirmou que a decisão judicial não comprometeu a segurança do pleito e que o TSE a cumpriu nos termos determinados, antes de dar prosseguimento à totalização dos votos.
Antes da divulgação final, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) havia dito que o grupo venceria de qualquer maneira. Em 2022, Jair Bolsonaro também evitou reconhecer a derrota para Lula e depois foi acusado de liderar uma trama golpista para impedir a posse do presidente. A articulação, que envolveu generais das Forças Armadas e teve como ápice os ataques de 8 de janeiro de 2023, levou o Supremo a condenar o ex-presidente a mais 27 anos de prisão. Preso e com os direitos políticos cassados, Jair passou a Flávio o bastão político do clã.
O cientista político Oliver Stuenkel avaliou que Flávio tem menos condições de tumultuar o período pós-eleitoral do que o pai teve em 2022. Segundo ele, o senador não controla o governo e não passou meses questionando as urnas eletrônicas, como Jair fez. Stuenkel também observou que Flávio levantou dúvidas sobre o processo em julho, mas depois recuou. Para o analista, a vantagem de Lula, superior a 4 milhões de votos e cerca do dobro da margem de 2022, dificulta que alegações de irregularidades convençam pessoas além dos apoiadores mais fiéis dos Bolsonaro.








