
Especialistas apontam mobilização digital de André Janones como fator importante na reeleição de Lula. (Foto: Instagram)
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente do Brasil na noite de domingo, 25, em uma virada histórica. Depois de ficar atrás de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno, o petista venceu com mais de 51,79% dos votos. Especialistas apontam o deputado federal André Janones (Rede-MG) como um dos nomes que contribuíram para o resultado.
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Após o desempenho inesperado no primeiro turno, a campanha de Lula buscou se modernizar e se aproximou de aliados políticos mais jovens. Nesse contexto, a atuação de Janones nas redes sociais cresceu entre os apoiadores do petista. O deputado administrou o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, que reúne quase 11 milhões de inscritos, e usou o espaço para divulgar conteúdos de campanha e convocar mobilizações.
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Entre as ações organizadas estavam um panelaço durante a sabatina de Flávio Bolsonaro na Globo e um pedido para que apoiadores publicassem fotos com a camisa da Seleção e fizessem o “L” com a mão. A iniciativa buscava reforçar que os símbolos nacionais não pertencem apenas à direita.
João Ricardo Matta, doutor em Marketing e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), chamou Janones de “herói do PT”. Na avaliação dele, o deputado assumiu a campanha digital, retirando essa frente da primeira-dama Janja da Silva, da liderança partidária e da estrutura oficial. Matta afirmou que Janones “virou o jogo” e considerou que ele saiu da eleição fortalecido, dizendo que o parlamentar poderia ocupar um cargo de ministro. Para o professor, a vitória foi conquistada por Janones.
Adriane Buarque de Holanda, coordenadora do ESFERA Lab, Laboratório de Pesquisa Política da ESPM, também avaliou que Janones fez diferença, sobretudo ao mobilizar jovens que incentivaram familiares mais velhos a participar do segundo turno. Ela descreveu a movimentação como uma mobilização em defesa da democracia e ressaltou o envolvimento de pais e avós. Também destacou o compartilhamento de conteúdos e o engajamento nas redes, além da presença de Lula junto ao público nas ruas.
Matta atribuiu parte da derrota de Flávio Bolsonaro à influência de Pablo Marçal no segundo turno. Segundo o especialista, Marçal teria orientado o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro a adotar um tom mais “virulento” e “agressivo”. Ele citou como exemplo Flávio ter chamado Lula de “nove dedos” no debate da TV Globo, na sexta-feira, 23, atitude que considerou indelicada para uma campanha presidencial. O professor também criticou a declaração de Flávio, no dia da votação, de que voltaria do almoço para falar como presidente, interpretando-a como uma postura de pré-governo inadequada na reta final.
Por fim, Matta considerou corajosa a decisão de Lula de entregar a Janones a condução da campanha, apesar da experiência de Sidônio Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência. O professor disse que a equipe mudou radicalmente de estratégia após avaliar que o resultado anterior não havia sido bom. Em sua avaliação, Janones demonstrou capacidade de liderança e mobilização dentro da esquerda.
