Lula promete mudar a forma de governar e prega reconciliação; Flávio quer anular eleição

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Lula é reeleito com 51,79% dos votos e promete mudar a forma de governar; Flávio Bolsonaro contesta o resultado. (Foto: Instagram)

Reeleito presidente com 51,79% dos votos neste domingo (25), Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que aprendeu “muitas lições” durante a campanha e prometeu mudar a forma de governar no quarto mandato. Em seu discurso da vitória, disse que será presidente dos 215 milhões de brasileiros e defendeu uma convivência civilizada, baseada no respeito à Constituição. Flávio Bolsonaro, seu adversário, não reconheceu o resultado.

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Contrariando as pesquisas de intenção de voto, Lula reverteu o cenário do segundo turno e venceu por uma diferença de 4,3 milhões de votos. No primeiro turno, Flávio havia obtido 2,1 milhões de votos a mais. Foi a primeira vez na democracia brasileira que um candidato derrotado na votação inicial conseguiu uma virada dessa dimensão. Em um hotel em São Paulo, Lula agradeceu à participação de eleitores de diferentes idades e à mobilização nas ruas e na internet. Também brincou que nunca venceu no primeiro turno, mas nunca perdeu no segundo.

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Flávio acompanhou a apuração em Brasília, onde sua campanha havia organizado uma festa da vitória. Depois da divulgação do resultado, afirmou ser “impossível” atestar a lisura do pleito. Ele contestou a decisão do ministro do STF Cristiano Zanin de estender por duas horas o horário de votação, até as 19h, devido a problemas no transporte de eleitores. Para Flávio, a medida alterou as regras durante a eleição; ele anunciou que recorrerá à Justiça e pedirá a anulação do pleito. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, garantiu ter “absoluta segurança” sobre o processo, felicitou Lula e declarou que a extensão do horário não mudou o resultado.

Lula disse estar preparado para governar com um Congresso mais conservador. Segundo ele, embora não tenha escolhido os parlamentares, trabalhará com eles para aprovar propostas. A partir de janeiro, enfrentará uma composição mais hostil do que a atual: o PL conquistou a maior bancada da Câmara e do Senado, com 121 deputados e 21 senadores. O presidente também classificou a eleição como uma derrota do negacionismo e da mentira e afirmou não esperar enfrentar um representante do milicianismo.

O petista prometeu mudanças na comunicação digital do governo e defendeu a regulação das redes sociais. Disse que plataformas digitais interferiram no processo eleitoral e criticou grandes empresas que, segundo ele, lucram bilhões, não pagam impostos no país e tentam influenciar os resultados. Na comemoração na Avenida Paulista, destacou o vice-presidente Geraldo Alckmin, a quem atribuiu ter “salvado a democracia duas vezes”, e afirmou ter aprendido muitas lições durante a campanha.

Lula agradeceu ainda ao deputado federal mineiro André Janones, que liderou a iniciativa digital Exército de Lula, e ao governador eleito do Piauí, Rafael Fonteles. Também buscou dialogar com eleitores de direita ao prometer medidas de segurança pública, proteção aos trabalhadores e prisão para criminosos. Após o ato na Avenida Paulista, onde cantou com a multidão o hino da Independência e o hino nacional, anunciou que retornaria a Brasília durante a madrugada.