
Flávio Bolsonaro perdeu a eleição presidencial após terminar o primeiro turno à frente de Lula. (Foto: Instagram)
Flávio Bolsonaro (PL) perdeu a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apesar de ter terminado o primeiro turno na frente. A virada encerrou uma sequência iniciada em 1989: desde a redemocratização, nenhum candidato que liderou a primeira votação havia sido derrotado no segundo turno. Especialistas apontam que a mobilização pró-Lula, as redes sociais, a rejeição ao bolsonarismo e a dificuldade de Flávio para atrair o centro contribuíram para o resultado.
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A campanha do senador também enfrentou controvérsias envolvendo o Banco Master e o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro (PL). A escolha de Flávio como sucessor político do pai encontrou resistência em setores da direita, que apoiavam outras opções, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O ex-presidente anunciou a candidatura no fim de 2025.
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Karolina Mattos Roeder, professora de Ciência Política, Gestão de Partidos Políticos e Relações Internacionais da Uninter, destacou a ampliação dos grupos mobilizados em favor de Lula. Além de artistas, influenciadores e políticos, fãs organizados e pessoas sem experiência prévia de militância participaram da mobilização. Segundo ela, essas redes alcançaram jovens e eleitores pouco interessados em política, converteram vínculos culturais em participação e ajudaram a reduzir a vantagem da direita no ambiente digital.
Roeder também apontou a retomada de uma estrutura digital ligada ao deputado federal André Janones (Rede-MG). O grupo mobilizou o chamado “exército do Lula” e produtores de conteúdo para disputar narrativas, responder à desinformação e divulgar mensagens em linguagem popular. A professora observou ainda que a rejeição a Flávio limitou a expansão de sua base: na avaliação dela, o senador não necessariamente perdeu votos em números absolutos, mas teve um teto de apoio menor que o da coalizão favorável a Lula.
Rogério Baptistini, professor de Sociologia e cientista político da Universidade Presbiteriana Mackenzie, avaliou que a margem do primeiro turno era reversível diante dos eleitores que não escolheram nenhum dos dois candidatos. Foram mais de 39 milhões de pessoas que se abstiveram ou votaram em branco ou nulo. Entre quem votou em outros nomes, 40% indicavam intenção de apoiar Lula, contra 36% que preferiam Flávio. Os eleitores dos candidatos derrotados não migraram em bloco: Lula avançou entre apoiadores de Augusto Cury, que havia declarado apoio ao senador, enquanto Flávio cresceu entre eleitores de Ronaldo Caiado. O debate da Band não teria definido claramente esse grupo.
Baptistini afirmou que Flávio teve de tentar tranquilizar o centro sem perder o apoio da base bolsonarista, incluindo quem pedia a libertação de Jair Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe. Para o professor, o legado do ex-presidente e referências a supostos vínculos com milicianos, feitas por Lula no debate da Band, dificultaram a aproximação com eleitores centristas. Ele avaliou que a rejeição ao bolsonarismo pesou na disputa e que parte do centro via a candidatura como possível retorno de um movimento que não aceitou a derrota de 2022, com riscos para a democracia construída a partir de 1988.
