
Lula é reeleito presidente e terá de negociar com um Congresso mais inclinado à direita para governar. (Foto: Instagram)
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República no segundo turno das eleições deste domingo, 25, e seguirá para seu quarto mandato. A vitória de virada é inédita, mas não garante um período tranquilo. O petista terá de negociar com um Congresso mais inclinado à direita, lidar com um centrão enfraquecido e acompanhar a crise no Supremo Tribunal Federal (STF).
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Para Flávia Bozza, cientista política da ESPM, o resultado pode deixar um vencedor com pouca margem para governar. Um presidente sem maioria parlamentar enfrenta dificuldades para aprovar sua agenda, especialmente quando não consegue reunir aliados suficientes entre as bancadas. Na avaliação dela, esse cenário pode se repetir no próximo mandato, a depender da composição do Congresso.
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Bozza afirma que a falta de apoio no Legislativo tende a fragilizar o presidente e a exigir concessões que, em outras circunstâncias, ele talvez não aceitasse. Por isso, apesar da reeleição, a governabilidade deve ser difícil. Segundo a cientista política, a nova configuração parlamentar não representa uma perda maior para a esquerda, mas para o centrão, cujos partidos teriam sido absorvidos pelo crescimento da direita, sobretudo da extrema direita.
Essas siglas, porém, continuam interessadas em participar do governo, observa Bozza. Ela também considera que a capacidade de conciliação de Lula deve aparecer na condução do quarto mandato. Ao mesmo tempo, a preocupação com o legado que deixará deverá fazer parte das decisões do presidente. O desafio será combinar articulação política e prioridades de governo em um Congresso com forças diferentes das de períodos anteriores.
Sérgio Simoni Jr., professor de Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP), avalia que o próximo mandato pode ser mais difícil do que o atual, que já enfrentou obstáculos para governar. Para ele, o presidente tem hoje menos influência e poder para conduzir as decisões do que teve no passado. O Executivo continua sendo a força mais poderosa, ressalta, mas dispõe de menos capacidade de liderança.
Simoni também prevê a continuidade da crise no STF. Na avaliação do professor, o governo deverá tentar reduzi-la, embora a tarefa possa avançar com dificuldade e em meio ao desgaste provocado pelo tema. Outro desafio será a sucessão de Lula: quando a disputa interna permanece indefinida, surgem divergências nos partidos. O PT e seus aliados terão de administrar esses conflitos e evitar que prejudiquem o governo.








