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BC prepara novas regras para conter o superendividamento até o fim de 2026


Banco Central anunciará normas para restringir crédito sem garantia ainda em 2026 (Foto: Instagram)

O Banco Central (BC) afirmou nesta terça-feira (27.out.2026) que publicará ainda em 2026 normas para restringir a oferta de crédito sem garantia. A informação foi divulgada durante a apresentação do Relatório de Estabilidade Financeira (REF) referente ao primeiro semestre de 2026.

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O relatório aponta que apenas 7,6% do valor médio contratado no Crédito do Trabalhador foi destinado a reduzir dívidas em modalidades mais caras. Criado pela Lei 15.179 de 2025, o novo consignado privado foi concebido para baratear o crédito a trabalhadores formais. Segundo o BC, porém, os recursos serviram principalmente para assumir novos compromissos financeiros, e não para reorganizar o orçamento.

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Entre as propostas em análise estão mudanças no Fator de Ponderação de Risco (FPR), usado no cálculo do requerimento de capital dos bancos para carteiras de cartão de crédito e empréstimo pessoal sem garantia. Também estão sendo estudadas travas em aplicativos para reduzir contratações por impulso, com exigências relacionadas à capacidade de pagamento das famílias.

Além dos 7,6% usados para abater dívidas de maior custo, como cartão de crédito e crédito pessoal não consignado, 14% dos tomadores destinaram mais de 80% do valor obtido ao pagamento de débitos anteriores. A inadimplência começou a aumentar a partir do quinto mês após a concessão e superou a registrada no crédito pessoal sem garantia.

O BC também identificou dificuldades no desconto das parcelas em folha. Dos valores não pagos, 39% do saldo, equivalente a R$ 2,4 bilhões, correspondia a trabalhadores que trocaram de emprego. Outros 19%, ou R$ 1,1 bilhão, eram de tomadores que não haviam sido desligados do trabalho.

Em junho de 2026, 20,3 milhões de devedores estavam em situação de risco, o equivalente a 17% dos devedores do Sistema Financeiro Nacional. O número cresceu 75% em relação a junho de 2021, enquanto o comprometimento individual da renda das famílias alcançou o maior patamar da série histórica no primeiro semestre de 2026. A pressão é mais intensa entre trabalhadores que recebem até 2 salários mínimos e dependem mais do cartão de crédito e de empréstimos não consignados.

A diretoria do BC atribuiu parte da exposição de clientes de menor renda a contratações inadequadas à ampliação dos serviços financeiros digitais. Na semana anterior, a autoridade monetária editou 3 normas para proibir ofertas ativas de crédito, sobretudo por canais digitais, a clientes no rotativo do cartão ou com atrasos relevantes. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, disse que foram avaliadas experiências internacionais para conter modalidades de crédito que crescem de forma “pouco sensível ao preço”. O diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, confirmou que as novas medidas serão anunciadas ainda em 2026.

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