Dólar recua após disparada histórica com vitória de Lula; veja o que mudou no mercado

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Dólar recua após forte alta, enquanto investidores acompanham os próximos passos do governo reeleito. (Foto: Instagram)

O dólar caiu nesta terça-feira (27), depois de ultrapassar R$ 5,60 no primeiro pregão após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A moeda americana passou a ser negociada na faixa de R$ 5,30, enquanto a Bolsa também ensaiou recuperação. Investidores acompanham as primeiras articulações do presidente para o quarto mandato e aguardam indicações sobre a equipe econômica.

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Durante as negociações desta terça, o dólar chegou a R$ 5,32, queda próxima de 2% em relação ao fechamento anterior. Na segunda-feira (26), a moeda havia avançado 8,21% e encerrado o dia a R$ 5,403, após tocar R$ 5,605. Os números desta terça são parciais e podem mudar até o fechamento do mercado.

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A disparada de segunda-feira foi a maior alta diária do dólar desde janeiro de 1999, quando o Brasil mudou seu regime cambial. A moeda chegou a subir mais de 12% em relação ao fechamento de sexta-feira (23), último pregão antes do segundo turno. Parte dos investidores apostava na vitória de Flávio Bolsonaro (PL), que havia ficado à frente de Lula no primeiro turno. O resultado contrariou essa expectativa e levou a uma busca rápida por dólares, vistos como proteção em momentos de instabilidade.

A turbulência também atingiu a Bolsa. O Ibovespa chegou a cair mais de 17% durante o pregão, acionando o circuit breaker, mecanismo que suspende temporariamente as negociações diante de perdas acentuadas. No encerramento, o principal índice brasileiro recuou 13,88%, aos 176.608 pontos, e apagou os ganhos acumulados em outubro.

A queda do dólar nesta terça pode refletir uma correção de preços: após a forte valorização, investidores venderam parte da moeda para realizar lucros. Também há avaliações de que a reação inicial tenha sido exagerada. Ainda assim, persistem dúvidas sobre a política econômica do novo mandato, as contas públicas e o controle dos gastos. O mercado espera conhecer quem assumirá o Ministério da Fazenda a partir de 2027 e quais serão os compromissos para a trajetória da dívida.

Entre os nomes citados nos bastidores para comandar a Fazenda estão o vice-presidente Geraldo Alckmin e o governador do Piauí, Rafael Fonteles. Alckmin é considerado um interlocutor relevante com o setor produtivo, enquanto Fonteles tem experiência na área econômica. O governador, porém, já afirmou que não pretende deixar o cargo para assumir um ministério. Investidores também observam a capacidade do governo de negociar com o Congresso Nacional, que terá composição mais conservadora a partir de fevereiro de 2027.

O Ibovespa voltou a subir nesta terça, com recuperação parcial de empresas que haviam sofrido perdas expressivas. Bancos, estatais e companhias ligadas ao mercado interno estiveram entre os setores mais pressionados na segunda-feira. A reação não reverteu as perdas, e os próximos movimentos dependerão das expectativas sobre juros, inflação e política fiscal, além das primeiras decisões do governo reeleito. A queda do dólar representa alívio após a turbulência, mas ainda não elimina as incertezas sobre o resultado eleitoral.