
Justiça italiana adia para novembro de 2026 análise do pedido de extradição de Carla Zambelli. (Foto: Instagram)
A Justiça italiana adiou para 24 de novembro de 2026 o julgamento do pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli. O advogado brasileiro Eduardo Maurício, integrante da equipe de defesa, informou que os representantes da ex-parlamentar pediram a mudança porque não tiveram acesso aos documentos enviados pelo governo brasileiro sobre as condições de seu possível encarceramento no país. A defesa afirma que o retorno poderia colocar sua vida em risco.
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O pedido de adiamento foi apresentado pelos advogados italianos Pieremilio e Alessandro Sammarco, junto com Maurício. Segundo a defesa, sem consultar integralmente a documentação, não é possível avaliar as garantias de atendimento médico oferecidas pelo Brasil. Os advogados também afirmam que a falta de acesso compromete o contraditório e a ampla defesa no processo de extradição.
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A unidade indicada para receber Zambelli, caso a extradição seja autorizada, é a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia. Em manifestação sobre o adiamento, Eduardo Maurício voltou a criticar as condições do sistema penitenciário brasileiro e declarou que extraditar a ex-deputada seria, na avaliação da defesa, “entregá-la à morte”. Ele descreveu o sistema prisional do país como desumano e degradante.
A defesa sustenta que as condições de encarceramento e a assistência médica disponíveis no Brasil não seriam suficientes para proteger a saúde da ex-parlamentar. Os advogados dizem que Zambelli tem problemas médicos que exigem acompanhamento e cuidados específicos, entre eles fibromialgia e episódios de desmaio. As garantias de atendimento médico passaram a ser um ponto central na análise italiana.
Em julho, a Corte de Cassação da Itália anulou uma decisão anterior favorável à extradição e pediu esclarecimentos sobre os cuidados médicos que seriam oferecidos à brasileira durante o cumprimento da pena. As autoridades brasileiras encaminharam informações complementares à Justiça italiana, mas a defesa afirma que ainda não teve acesso ao material necessário para contestar as garantias apresentadas. Com o adiamento, os advogados terão mais tempo para examinar os documentos e expor seus argumentos.
O pedido de extradição está relacionado à condenação de Zambelli a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. O episódio ocorreu em outubro de 2022, na véspera do segundo turno das eleições presidenciais, quando a então deputada perseguiu o jornalista Luan Araújo pelas ruas do bairro dos Jardins, em São Paulo, segurando uma pistola. O Supremo Tribunal Federal a condenou, e o governo brasileiro pediu sua extradição para que cumpra a pena no país.
Zambelli também foi condenada por envolvimento na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O pedido de extradição relativo a esse processo já havia sido rejeitado pela Justiça italiana. A ex-deputada permanece em liberdade na Itália enquanto aguarda a decisão sobre o caso atual. Ela deixou o Brasil em 2025 e chegou a ficar presa em Roma antes de obter uma decisão favorável à soltura.
Na audiência marcada para 24 de novembro, a Justiça italiana deverá examinar novamente se há requisitos legais para autorizar a extradição, incluindo as garantias sobre saúde e condições de encarceramento. A análise não pretende reavaliar o mérito da condenação imposta pelo STF, mas verificar se a entrega de Zambelli atende à legislação italiana e aos tratados internacionais. A defesa pretende insistir que o retorno ao Brasil representaria risco à vida dela; as autoridades brasileiras mantêm o pedido para que cumpra a pena no país.
