
Lula tenta avançar pautas prioritárias antes da chegada do novo Congresso. (Foto: Instagram)
Após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL), aliados do presidente tentam acelerar votações em Brasília. Reeleito para um quarto mandato, Lula busca aproveitar os últimos meses da atual legislatura para avançar em pautas estratégicas antes da posse dos novos deputados e senadores, em 1º de fevereiro de 2027.
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O Partido Liberal e o Novo terão, juntos, 131 dos 513 deputados federais, cerca de 25% da Câmara. No Senado, somarão 32 das 81 cadeiras, quase 40% da Casa. Alianças com siglas de direita e centro-direita, como PP, União Brasil e Republicanos, podem ampliar a influência da oposição e tornar mais difícil a aprovação de propostas do governo.
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O novo Congresso também escolherá os presidentes da Câmara e do Senado, responsáveis por influenciar a pauta de votações. Para aprovar emendas à Constituição, o governo precisará de três quintos dos parlamentares: 308 votos na Câmara e 49 no Senado, em dois turnos. A avaliação de governistas é que novembro e dezembro oferecem melhores condições para negociar matérias prioritárias.
Entre elas está a PEC da Segurança Pública, pronta para análise no plenário do Senado. A proposta pretende ampliar a coordenação federal no combate ao crime e reorganizar a cooperação entre União, estados e municípios. Há divergências sobre pontos como a redução da maioridade penal. O tema também se relaciona aos planos de criação de um Ministério da Segurança Pública; se a votação ficar para 2027, a oposição poderá tentar mudar o texto.
O preenchimento da vaga no STF aberta após a aposentadoria de Luís Roberto Barroso também preocupa o Planalto. O Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, e aliados defendem que Lula apresente outro nome ainda em 2026. Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Senado e integrante do TCU, é citado nos bastidores. A confirmação exige ao menos 41 votos.
A presidência do Senado será outro foco das articulações. Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) é considerado um interlocutor importante para Lula, enquanto a oposição avalia lançar Rogério Marinho (PL-RN) ou Tereza Cristina (PP-MS). O presidente da Casa conduz o Congresso e tem atribuições sobre medidas provisórias, vetos e indicações. Na Câmara, a sucessão de Hugo Motta (Republicanos-PB) também poderá afetar a agenda do Executivo.
O Orçamento de 2027 será um dos primeiros testes do novo mandato. A proposta terá de conciliar despesas obrigatórias, investimentos, programas sociais e compromissos de campanha com as regras fiscais. A disparada do dólar e a queda da Bolsa na segunda-feira (26), após a reeleição, aumentaram as cobranças por responsabilidade fiscal e previsibilidade. Emendas parlamentares também pesam na negociação de recursos.
Para formar maiorias, Lula deverá buscar apoio no Centrão. MDB e PSD são apontados como mais próximos do presidente, enquanto setores de PP, União Brasil e Republicanos se mantêm mais distantes do Planalto e apoiaram Flávio Bolsonaro na eleição. A ampliação das emendas impositivas reduziu a influência do Executivo sobre a liberação de recursos. Com a oposição fortalecida, o governo poderá enfrentar negociações mais frequentes e obstáculos para aprovar reformas e outras propostas.
