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Lula entregará a presidência da COP31 e buscará continuidade climática


Lula participará da COP31, na Turquia, para transferir a presidência da conferência climática e defender os resultados da gestão brasileira. (Foto: Instagram)

O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) irá à COP31, em Antália, na Turquia, para transferir a presidência da conferência climática, exercida pelo Brasil desde Belém. Ele deve defender os resultados da gestão brasileira na COP30 e buscar deixar encaminhada a continuidade das agendas lançadas pelo país.

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A COP31 será realizada de 9 a 20 de novembro, com a participação de chefes de Estado concentrada nos dias 11 e 12. A presidência brasileira termina no início do evento. A Turquia será a anfitriã, enquanto a Austrália conduzirá as negociações, em um formato inédito. A presença de Lula foi anunciada após telefonema com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

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A presidência brasileira da COP30 é liderada pelo embaixador André Corrêa do Lago, que conduz as articulações políticas e a busca de consensos entre os países. Ana Toni, diretora-executiva do evento, coordena a execução das ações e as frentes de trabalho. Diferentemente de Belém, onde a cúpula de líderes foi separada da conferência por motivos logísticos, na Turquia o encontro de chefes de Estado integrará a programação.

A COP30 terminou com 56 decisões aprovadas por consenso, incluindo o pacote Mutirão. O texto final não incorporou um mapa do caminho para a transição para longe dos combustíveis fósseis. A presidência brasileira passou a tratar o tema como uma iniciativa voluntária, fora das negociações formais. O Brasil também lançou o TFFF (Fundo Florestas Tropicais para Sempre), que reúne cerca de US$ 7,3 bilhões em compromissos. Para ser ativado, precisa alcançar US$ 10 bilhões até 31 de dezembro; a Noruega, maior doadora, com US$ 3 bilhões, condiciona sua contribuição ao cumprimento da meta.

Para concluir sua gestão, o Brasil prepara três documentos. O mapa do caminho dos combustíveis fósseis terá 7 capítulos e recebeu contribuições de 115 países e 247 atores não estatais, números apresentados em Bonn, em junho. O roteiro para florestas estabelece a meta de parar e reverter o desmatamento até 2030. Já o relatório do roteiro de Baku a Belém será a primeira atualização do plano para mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano em financiamento climático até 2035, e será apresentado na COP31.

Os mapas sobre combustíveis fósseis e florestas foram anunciados após os países não chegarem a um consenso sobre um compromisso mais explícito para a transição energética. A proposta brasileira é manter a discussão internacional e apontar possibilidades de avanço. Elaborado pelas presidências das COP29 e COP30, o roteiro de financiamento busca ampliar recursos para países em desenvolvimento e coordenar fontes públicas e privadas para viabilizar ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

A continuidade dessas iniciativas após a transferência da presidência é um dos principais desafios. A agenda de ação reúne governos, empresas, instituições financeiras e organizações da sociedade civil, mas a permanência dos projetos dependerá do engajamento dos parceiros e das próximas presidências. O Acelerador Global de Implementação, criado na COP30 e conduzido em conjunto com a presidência turca, pretende apoiar a execução das NDCs (metas climáticas nacionais) e dos planos de adaptação. A iniciativa conta com uma rede de parceiros, uma instituição coordenadora, especialistas independentes e um comitê de direção. A estrutura pode favorecer a continuidade, mas não impede mudanças de prioridade nem garante que todas as iniciativas sejam mantidas. Na COP31, o Brasil pretende apresentar os mapas do caminho para que países e parceiros debatam sua implementação.

Além da conferência, Lula tem outros compromissos internacionais previstos até o fim do ano, após a vitória nas eleições de 2026. A cúpula da Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático) será realizada em novembro, nas Filipinas, e o governo avalia a participação do presidente na abertura. Lula também poderá ir à reunião de chefes de Estado do Mercosul, em 4 de dezembro, em Montevidéu, no Uruguai. Em dezembro, viajará aos Estados Unidos para a cúpula do G20, marcada para 14 e 15 de dezembro, em Miami, sob a presidência norte-americana de Donald Trump.

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