Operação contra lavagem ligada a roubo de joias bloqueia R$ 374 milhões em SP

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Polícia Civil de SP bloqueia cerca de R$ 374 milhões em bens e ativos na terceira fase da Operação Ouro Reverso. (Foto: Instagram)

A Polícia Civil de São Paulo iniciou, na manhã desta terça-feira (27), a terceira fase da Operação Ouro Reverso. A ação busca desarticular uma organização criminosa suspeita de roubo, furto, receptação e lavagem de dinheiro obtido com o comércio ilegal de joias e ouro. Por ordem judicial, foram bloqueados cerca de R$ 374 milhões em bens e ativos financeiros relacionados aos investigados.

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Ao todo, 62 agentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) cumprem 31 mandados de busca e apreensão na capital paulista e na região metropolitana. A Justiça também determinou a interdição temporária de uma empresa e o sequestro de um imóvel apontados como utilizados pelo grupo. A operação conta com auditores das Receitas Estadual e Municipal e peritos avaliadores da Caixa Econômica Federal.

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Segundo a 3ª Delegacia de Investigações sobre Fraudes Financeiras e Econômicas do Deic, a organização era estruturada em três núcleos: execução dos crimes, receptação dos bens e movimentação financeira. As apurações identificaram que uma das empresas ligadas ao esquema movimentou mais de R$ 356 milhões. A principal hipótese dos investigadores é que o CNPJ tenha servido de fachada para recursos provenientes das atividades criminosas.

O cruzamento de informações contábeis, dados obtidos em dispositivos eletrônicos apreendidos e Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) levou à identificação de uma rede destinada a ocultar patrimônio. Entre os mecanismos apontados estão mudanças sucessivas no quadro societário, uso de “laranjas” e transferências fracionadas entre pessoas físicas e jurídicas.

As investigações começaram em 2024, depois que os policiais identificaram a entrega de uma joia a um conhecido jogador de futebol durante um cruzeiro marítimo. O responsável pelo presente tinha condenações por envolvimento com organização criminosa. A partir desse caso, a Polícia Civil aprofundou as apurações e encontrou uma estrutura voltada à obtenção, transformação e venda de metais preciosos de origem criminosa.

A primeira fase da Operação Ouro Reverso ocorreu em maio de 2025 e mirou o núcleo chamado “O Sangue”, formado por suspeitos de roubos violentos de alianças e pela receptação inicial das peças. A ação reuniu informações sobre o funcionamento do grupo e ajudou a identificar outros integrantes. Já a segunda etapa, denominada “A Fachada”, foi realizada em agosto deste ano e se concentrou em comércios, oficinas e laboratórios usados para transformar joias e ouro obtidos ilegalmente em novos produtos.

Os alvos da segunda fase estavam principalmente no centro da capital, em uma área conhecida como “Círculo do Fogo”, onde se concentram fundições, fabricantes e comerciantes de metais preciosos. Na ocasião, foram apreendidos R$ 1,6 milhão em joias, e a Justiça determinou o bloqueio de R$ 35 milhões em bens e ativos.