
Pílula anticoncepcional masculina experimental pode agir em 30 minutos (Foto: Instagram)
Cientistas dos Estados Unidos desenvolveram uma pílula anticoncepcional masculina experimental que poderá ser tomada 30 minutos antes da relação sexual. A pesquisa foi realizada por pesquisadores da Weill Cornell Medicine, e os resultados iniciais foram divulgados pela Agência Aids. O medicamento, ainda não disponível para uso, poderá impedir a fecundação por um período de seis a oito horas sem recorrer a hormônios. A proposta é que, algumas horas depois, a fertilidade masculina retorne ao normal.
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A estratégia apresentada pela Weill Cornell Medicine busca ampliar as possibilidades de contracepção e dividir a responsabilidade pelo planejamento entre homens e mulheres. Ao contrário de outros métodos masculinos em desenvolvimento, que procuram diminuir a produção de espermatozoides, essa pílula atua sobre a mobilidade deles. A Agência Aids informou que os resultados disponíveis até agora foram obtidos em animais, portanto ainda não demonstram como o medicamento funcionará em seres humanos.
O composto bloqueia temporariamente uma enzima chamada adenilil ciclase solúvel, identificada pela sigla sAC. Essa enzima é necessária para que os espermatozoides consigam nadar e alcançar o óvulo. Quando sua ação é bloqueada, eles perdem a capacidade de avançar pelo sistema reprodutivo feminino, o que pode impedir a fecundação. A proposta é que esse efeito seja passageiro, sem reduzir de forma permanente a fertilidade masculina.
A rapidez é uma das características que diferenciam a abordagem. Enquanto outros anticoncepcionais masculinos experimentais podem demorar semanas para começar a agir, o medicamento em estudo pretende oferecer proteção em aproximadamente meia hora. Nos experimentos com animais realizados até o momento, os pesquisadores não observaram efeitos colaterais. Ainda assim, será preciso verificar se esse resultado se mantém em humanos e avaliar a segurança antes de considerar qualquer uso.
Os cientistas receberam US$ 8,2 milhões em financiamento para avançar com as próximas etapas. Os recursos permitirão conduzir estudos toxicológicos, desenvolver a formulação oral e preparar um ensaio clínico de fase 1, voltado principalmente à avaliação da segurança. Nessa etapa, voluntários deverão receber a substância ou um placebo. A equipe acompanhará possíveis reações e analisará amostras de sêmen para verificar se a mobilidade dos espermatozoides é reduzida temporariamente.
Atualmente, os principais métodos contraceptivos masculinos disponíveis são a camisinha e a vasectomia. Se os estudos confirmarem eficácia e segurança, a pílula poderá ampliar as alternativas e oferecer aos casais mais opções para o planejamento familiar. No entanto, ainda não há previsão de chegada às farmácias: a eficácia e a segurança precisam ser confirmadas em estudos clínicos antes de qualquer aprovação. O medicamento também não substituirá a camisinha na prevenção de infecções sexualmente transmissíveis.
