Teoria de que a “conta não fecha” no 2º turno é imprecisa

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Vídeos nas redes questionam a virada de Lula no 2º turno de 2026 com base na comparação entre os votos dos candidatos. Mas os totais não mostram como cada eleitor mudou de escolha ou se compareceu às urnas entre os turnos. (Foto: Instagram)

Vídeos compartilhados nas redes sociais questionam os resultados do 2º turno das eleições presidenciais de 2026 ao comparar o aumento de votos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). As publicações ganharam força depois que Elon Musk, dono de X, SpaceX, Starlink e Tesla, afirmou no X que a “matemática não fecha” ao analisar os números da eleição.

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Um dos vídeos afirma que Lula recebeu 10.376.694 votos a mais no 2º turno e Flávio Bolsonaro, 3.721.538. Somados, seriam 14.098.232 votos adicionais para os dois candidatos. O autor compara esse total à soma de 4.781.485, diferença de votos brancos, nulos e abstenções entre os turnos, com 9.316.747 votos dados aos demais candidatos no 1º turno.

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A partir dessa conta, o vídeo sustenta que, para obter mais de 10 milhões de votos adicionais no segundo turno, Lula teria de receber todos os 4.781.485 votos associados à diferença de brancos, nulos e abstenções, além de 60% dos votos da chamada terceira via. Daí vem a conclusão de que a matemática não fecharia e de que a virada do petista seria questionável.

O cálculo, porém, é impreciso por pelo menos dois motivos: não considera que eleitores podem mudar de opinião ou deixar de votar entre os turnos e parte da premissa de que todos os que votaram em Lula ou Flávio no primeiro turno repetiram o voto no segundo. Os totais não mostram o percurso individual de cada eleitor nem permitem atribuir a origem dos votos adicionais a um grupo específico.

É possível, por exemplo, que parte dos eleitores de Flávio na primeira rodada tenha ficado desanimada e não comparecido às urnas no segundo turno, ou tenha mudado de voto para Lula. Assim, não se pode afirmar que todos os votos a mais dos dois candidatos vieram de eleitores da terceira via ou de pessoas que haviam votado em branco, anulado o voto ou se abstido no primeiro turno.

Os números permitem calcular o crescimento líquido de cada candidatura, mas não identificar de onde veio cada voto. O eleitorado brasileiro é amplo e diverso: nas eleições, 158.745.463 pessoas estavam aptas a votar. A virada de Lula era matematicamente muito difícil, mas não impossível. Para alcançá-la, o petista precisava desmobilizar eleitores do adversário, reduzir a abstenção a um nível recorde e converter em votos uma parcela elevada dos eleitores de candidatos que não chegaram ao segundo turno. Essas condições foram alcançadas.