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Após fim das bets, brasileiro compra mais alimentos, diz Abras


Abras aponta alta nas vendas de alimentos após restrições às bets (Foto: Instagram)

A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) informou nesta quarta-feira (28) que as compras de alimentos básicos aumentaram depois da medida do governo federal contra as bets. O presidente da entidade, João Galassi, apresentou os dados durante a feira Supervendas, em Aracaju, Sergipe. O levantamento aponta alta nas vendas em outubro, enquanto números do Banco Central, divulgados pela Agência Brasil, indicaram queda nas transações por Pix após a medida assinada pelo presidente Lula.

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De acordo com a Abras, as vendas do varejo alimentar cresceram 6,5% no país entre 5 e 11 de outubro, na comparação com o mesmo período de 2025. Na semana seguinte, de 12 a 18 de outubro, o avanço foi de 6,3%. A associação relaciona o crescimento à redução das apostas, que poderia deixar uma parte do orçamento das famílias disponível para a compra de comida. Os percentuais, porém, comparam cada período com as mesmas datas de 2025, e não com a semana imediatamente anterior.

Na primeira semana analisada, o Sul e a área formada por Minas Gerais, Espírito Santo e interior do Rio de Janeiro tiveram as maiores altas, ambas de 10,6%. O Nordeste também registrou crescimento, de 6,5%. Na semana seguinte, o Sul manteve a liderança, com aumento de 9%. No mesmo intervalo, as vendas subiram 7,1% na região que reúne Minas Gerais, Espírito Santo e interior fluminense, e 5,5% na Grande São Paulo.

João Galassi afirmou que houve aumento do consumo em todos os formatos de negócio considerados pela entidade, incluindo atacarejo, supermercados e lojas de vizinhança. A Abras avalia que os resultados podem indicar uma mudança na forma como parte dos brasileiros destina o dinheiro depois da restrição às apostas. A associação apresentou os dados na feira Supervendas, realizada em Aracaju, Sergipe, e atribuiu o movimento observado à medida adotada pelo governo federal no fim de setembro.

Outro dado acompanhado pela Abras veio do Banco Central: nos três primeiros dias após a publicação da medida provisória, o número de operações por Pix caiu 10% em comparação com a média dos mesmos dias das quatro semanas anteriores. Entre 26 e 28 de setembro, foram contabilizadas 608,6 milhões de transações. O valor financeiro movimentado recuou 15,5%, segundo informações divulgadas pela Agência Brasil. Esses números se referem às operações por Pix, enquanto os percentuais de alta citados pela entidade dizem respeito às vendas do varejo alimentar.

A medida provisória assinada pelo presidente Lula em 25 de setembro proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas esportivas e dos jogos online de quota fixa. As plataformas autorizadas tiveram até 5 de outubro para permitir que os apostadores retirassem voluntariamente os saldos. A partir de 6 de outubro, sites e aplicativos deveriam sair do ar. A determinação assinada por Lula, portanto, estabeleceu etapas diferentes para a retirada dos valores e a interrupção dos serviços.

Quem não conseguiu retirar o dinheiro no prazo deveria receber os valores por meio das instituições financeiras entre 9 e 14 de outubro. A medida já está em vigor, mas depende da aprovação do Congresso Nacional para continuar valendo. Segundo a Abras, o avanço das compras de alimentos nas semanas acompanhadas ocorreu após a adoção da medida; os dados divulgados pela entidade comparam as vendas com os mesmos períodos de 2025. João Galassi destacou que o crescimento foi observado nos diferentes formatos de varejo considerados no levantamento.

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