
Pesquisas de boca de urna apontam empate entre os blocos de Benjamin Netanyahu e Gadi Eisenkot, sem indicar um vencedor claro. (Foto: Instagram)
As pesquisas de boca de urna indicaram um revés para Benjamin Netanyahu, mas não apontaram um vencedor claro na eleição israelense. Os levantamentos mostraram empate entre o bloco do primeiro-ministro e o de seu principal rival, Gadi Eisenkot. O cenário pode resultar em semanas de negociações para formar um governo ou até em uma nova eleição.
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Eleitores israelenses foram às urnas na terça-feira, e pesquisas divulgadas na madrugada de quarta-feira por grandes emissoras do país estimaram cerca de 51 cadeiras para cada um dos blocos de Netanyahu e de Eisenkot no próximo Knesset. Os partidos árabes, por sua vez, somariam aproximadamente 18 assentos. O Parlamento israelense tem 120 cadeiras.
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Se os números forem confirmados, os adversários de Netanyahu podem ter uma maioria, mas isso não garante a formação de uma coalizão viável. Uma alternativa seria Eisenkot buscar apoio de partidos liderados por árabes, uma possibilidade politicamente sensível que poderia afastar parte da oposição.
Embora o Likud, partido de Netanyahu, apareça como a maior legenda individual, as pesquisas indicam que a base parlamentar do premiê encolheu. O resultado ocorre em meio à frustração com sua aliança com a extrema-direita e à indignação com as isenções do serviço militar concedidas a judeus ultraortodoxos.
Em discurso a apoiadores na madrugada, Netanyahu defendeu a formação de um “governo forte, de direita e nacionalista” e criticou os partidos árabes, alertando contra um governo que dependesse deles. Antes da eleição, ele já havia afirmado que essas legendas poderiam “fazer ou desfazer” o pleito, além de dizer que recebiam “apoio realmente massivo” e votavam em números “sem precedentes”.
Eisenkot disse que o resultado reflete “falta de confiança” em Netanyahu e prometeu formar um novo governo, ao falar em “uma nova era de esperança”. Também advertiu o primeiro-ministro interino para não usar a segurança do país com fins políticos. A declaração fez referência a relatos de que Netanyahu teria considerado atacar o Irã no período sensível anterior à eleição.
A participação eleitoral superou 77%, a maior desde 1999, segundo o Comitê Central de Eleições. Pelas regras parlamentares, o presidente de Israel deve encarregar de formar uma coalizão o líder com melhores chances de obter maioria. Se ninguém conseguir, uma nova eleição poderá ser convocada já no início de 2027, repetindo impasses de ciclos recentes.
Esta foi a primeira eleição nacional desde o ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023. O pleito foi tratado como um referendo sobre o longo período de Netanyahu no poder, em meio às guerras e à polarização interna.
