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Fuga de Flávio aos EUA agrava crise entre Brasil e Washington


Flávio Bolsonaro viajou aos Estados Unidos dois dias após a derrota eleitoral para Lula, apesar de ter sido intimado a entregar os passaportes. (Foto: Instagram)

Após perder a eleição para Lula, Flávio Bolsonaro viajou aos Estados Unidos na terça-feira (27/10), dois dias depois do resultado, embora tivesse sido intimado pela Polícia Federal a entregar os passaportes. O senador do PL é investigado por lavagem de dinheiro e favorecimento a plataformas de bets. Segundo a Reuters, o governo de Donald Trump aprovou sua entrada no país e deverá oferecer abrigo ao parlamentar.

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A chegada de Flávio pode agravar as relações entre Washington e o governo Lula, mas especialistas avaliam que ainda é cedo para falar em ruptura diplomática. A crise já vinha se aprofundando com medidas como a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, a revogação do visto da embaixadora brasileira nos EUA e a imposição de tarifas. Eduardo Bolsonaro, que teria articulado a viagem do irmão, também está foragido no país.

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Dawisson Belém Lopes, professor de política internacional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), considera que a participação de Washington na fuga pode ser útil a Trump às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro. O Partido Republicano corre o risco de perder maioria em pelo menos uma das casas do Congresso, e algumas pesquisas indicam aprovação de Trump inferior a 30%. Lopes pondera, porém, que o presidente americano não pode comprometer demais a relação com o Brasil.

O professor também aponta que os Estados Unidos estão em guerra contra o Irã desde fevereiro e invadiram a Venezuela em janeiro, quando capturaram o então presidente Nicolás Maduro. Já Roberto Goulart Menezes, professor titular de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), afirma que acolher outro integrante da família Bolsonaro pode prejudicar a imagem americana. Ele cita Allan dos Santos e Eduardo Bolsonaro como brasileiros investigados ou condenados que vivem nos EUA e avalia que Trump poderia retirar o apoio a Flávio se isso lhe conviesse.

Menezes descreve Trump como pragmático e afirma que os Estados Unidos priorizam interesses, não alianças. Em 2022, depois de perder a eleição para Lula e tentar impedir a posse do petista, Jair Bolsonaro também viajou aos EUA, mas voltou ao Brasil. Para o professor, Washington só teria interesse nos Bolsonaro se eles, no poder, atendessem a objetivos americanos, como se afastar da China e ampliar o acesso a minerais estratégicos; ele avalia que o Brasil não aceitaria se submeter a essas condições.

Até a tarde de quarta-feira, o governo americano não havia reconhecido a vitória de Lula. Trump e Flávio questionaram o resultado sem apresentar provas, apesar de o senador ter ficado 4,4 milhões de votos atrás do petista. Flávio alegou que a votação foi prorrogada por duas horas no domingo (25/10), medida autorizada pelo STF e solicitada tanto pelo PT quanto pelo PL. Cerca de 35 mil votos foram registrados no período extra, a maioria nos primeiros cinco minutos após as 17h. Na segunda-feira (26/10), Trump voltou a contestar o processo eleitoral, embora tenha dito que “gosta” de Lula.

Todos os partidos brasileiros, inclusive o PL, reconheceram a reeleição, assim como Alfredo Gaspar, vice de Flávio na chapa. Menezes considera que isso enfraquece ainda mais a contestação e levanta a possibilidade de que o senador esteja tentando escapar de uma prisão: ele é alvo de três investigações no STF por desvio de dinheiro público, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Em dezembro, Lula e Trump poderão tratar do caso durante a cúpula do G-20, em Miami. Na terça-feira, parlamentares do PT pediram à Justiça que Flávio fosse incluído no alerta vermelho da Interpol.

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