
A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil após a derrota eleitoral repercutiu em veículos de comunicação internacionais. (Foto: Instagram)
Veículos de comunicação internacionais noticiaram, desde 3ª feira (27.out.2026), a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil, após sua derrota na eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Jornais dos Estados Unidos, da Europa e da Argentina abordaram o caso, e alguns destacaram que o destino final do senador seria território norte-americano.
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Na 2ª feira (26.out), Flávio informou que a Polícia Federal o intimara a entregar os passaportes em até 24 horas, conforme determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A ordem ocorreu no contexto de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz. Na noite seguinte, Flávio e a família entraram na Argentina e embarcaram em um voo privado para o Equador. Reuters e New York Times apontaram os Estados Unidos como destino final; uma autoridade do governo de Donald Trump (Partido Republicano) disse que seriam concedidos vistos a Flávio e aos familiares.
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O New York Times afirmou, em sua edição on-line, que Flávio “fugiu do Brasil rumo aos Estados Unidos após derrota eleitoral”. O jornal disse ter ouvido 3 autoridades sob condição de anonimato, que indicaram os EUA como destino final. Também avaliou que o apoio do governo norte-americano a Bolsonaro poderia elevar as tensões entre o governo Trump e Lula, que acusou o presidente dos Estados Unidos de interferir nos assuntos internos brasileiros.
A saída do senador foi destaque na primeira página da edição impressa do Washington Post de 4ª feira (28.out). O jornal também citou autoridades que apontaram os Estados Unidos como destino. Segundo a publicação, Flávio temia ser preso ainda naquela semana por causa de investigações sobre ligações com um banqueiro acusado de crimes financeiros e com um homem suspeito de lavagem de dinheiro por meio da indústria de apostas no Brasil. A informação foi atribuída a 2 aliados próximos à família Bolsonaro.
O Wall Street Journal noticiou que os Estados Unidos planejavam conceder vistos a Flávio e a seus familiares. A publicação também lembrou a visita do senador a Trump em maio, quando o presidente norte-americano o descreveu como “um jovem esperto que ama o seu país”. Já o Guardian, do Reino Unido, destacou a reação de Lula à aparente decisão de Bolsonaro de deixar o país. O jornal repercutiu a declaração do presidente de que os Estados Unidos seriam a “1ª pátria” da família Bolsonaro.
O francês Le Monde escreveu, em 4ª feira (28.out), que a saída provocou “surpresa geral”. O jornal afirmou que Flávio, candidato da extrema direita à Presidência, deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos apenas 2 dias depois da derrota para Lula. Na Espanha, o El País estampou a manchete “Flávio Bolsonaro foge para os EUA para escapar da ação da Justiça brasileira”. O diário relatou que Alexandre de Moraes exigira a entrega do passaporte enquanto o papel do senador em um escândalo financeiro era esclarecido, mas que Flávio decidiu descumprir a ordem. A publicação também mencionou que ele tem passaporte italiano e diplomático, por ser senador.
Em Portugal, o Diário de Notícias lembrou que Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio e ex-deputado, vive nos Estados Unidos. O jornal também citou o pedido do PT para a emissão de um alerta vermelho da Interpol. A publicação mencionou ainda uma postagem de Simón Levy, ex-membro do governo mexicano, na rede X: ele escreveu que Flávio havia chegado em segurança e atribuiu a Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, a condução da operação.
O argentino Clarín dedicou sua manchete à saída do senador e recordou que os Estados Unidos também foram o destino de Jair Bolsonaro (PL) após a derrota para Lula na eleição de 2022. O jornal afirmou que os Estados Unidos “parecem ser o refúgio natural dos Bolsonaros quando estão com problemas”.
