
Janones diz esperar que Flávio Bolsonaro não tenha prisão decretada após chegar a Miami (Foto: Instagram)
O deputado federal André Janones (Rede-MG) disse nesta 4ª feira (28.out.2026) que espera que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não tenha a prisão decretada após deixar o Brasil e chegar a Miami, nos Estados Unidos. Para Janones, uma eventual ordem judicial poderia reforçar a narrativa de perseguição política e voltar a mobilizar apoiadores da família Bolsonaro. Em publicação no X, o deputado chamou a situação de “teatro” para construir essa narrativa.
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Janones avaliou que a direita bolsonarista tem enfrentado dificuldades para manter apoiadores unidos depois da eleição presidencial de 2026, diferentemente do cenário após a derrota de Jair Bolsonaro (PL) em 2022. Ele disse ter chegado a essa conclusão ao analisar redes sociais de apoiadores nas primeiras 48 horas após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas não apresentou dados ou metodologia.
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Na avaliação do deputado, um fato que pudesse ser apresentado como injustiça seria capaz de reunir novamente esses apoiadores e manter a ideia de um inimigo comum. Ele afirmou que, no momento, um mandado de prisão contra Flávio teria esse potencial. Sem uma ordem judicial, disse, a narrativa de perseguição perderia força e a pergunta seria: “Fugiu? Do quê?”.
O congressista também declarou acreditar que, nos próximos 4 anos, a direita poderá se reorganizar e ocupar o espaço político da extrema direita. Segundo ele, deixar de dar visibilidade a um adversário permitiria eleger novos alvos políticos e levar os antigos ao ostracismo. Essa é uma avaliação de Janones, não uma projeção comprovada.
Flávio, sua mulher e as duas filhas adolescentes do casal deixaram o Brasil, segundo informações sobre o caso, por receio de eventuais decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A Polícia Federal pediu a apreensão do passaporte do senador 7 minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral anunciar o resultado da eleição, às 21h09 de 25 de outubro de 2026. Lula venceu com 64.256.232 votos (51,79%), contra 59.826.041 votos (48,21%) de Flávio. Moraes autorizou a apreensão dos documentos e a proibição de saída do país.
Antes de viajar, na 2ª feira (26.out), Flávio publicou um vídeo em que negou que deixaria o Brasil. Ele contou que foi intimado pela Polícia Federal ao sair da casa do pai, Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar, e disse ter sido orientado a entregar os passaportes e impedido de deixar o país. O senador contestou a decisão de Moraes, afirmando que ela se baseava em uma declaração atribuída a Eduardo, em 23.out.2026, sobre deixar o país caso perdesse a eleição. Flávio negou ter dito isso e questionou se a fala justificaria a apreensão do passaporte.
Também nesta 4ª feira (28.out.2026), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse aprovar a chegada do senador ao país e afirmou que Flávio e sua família são “boas pessoas”. Trump voltou a criticar a eleição brasileira, vencida por Lula, sem apresentar provas de irregularidades. Ele classificou o pleito como “muito estranho” e mencionou avaliações negativas e o desempenho do mercado.
