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Lula critica saída de Flávio do Brasil: “Quem não deve, não teme”


Lula criticou a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil após a derrota na eleição presidencial. (Foto: Instagram)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta 3ª feira (27.out.2026) a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, após a derrota na eleição presidencial. Flávio recebeu 48,21% dos votos, enquanto Lula teve 51,79%. Durante uma comemoração de seu aniversário de 81 anos, no Palácio da Alvorada, Lula afirmou que o adversário deveria ter permanecido no país e que sua decisão desrespeitou a democracia e os eleitores.

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O presidente disse que se perguntava o que estaria na consciência de alguém que perde uma eleição e deixa o próprio país. “Quem não deve, não teme. O cidadão que sai escondido desse país deve alguma coisa. E não vá dizer que não há democracia”, declarou. Lula também voltou a chamar Flávio de miliciano e afirmou que ele “tem medo da Justiça”.

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Lula comparou a saída do senador às próprias derrotas em disputas presidenciais. Disse que permaneceu no Brasil depois de perder em 1989, 1994 e 1998, e também após a derrota do PT em 2018. “Eu perdi em 89, fui lamber minhas feridas e fiquei aqui. Eu perdi em 94, fui lamber minhas feridas e fiquei aqui. Eu perdi em 98, eu fiquei aqui. Perdemos em 2018, todos ficamos aqui”, afirmou.

Em 2018, a candidatura de Lula foi barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral. Fernando Haddad (SP) concorreu pelo PT e perdeu para Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio. O presidente também mencionou as investigações da operação Lava Jato e disse que recebeu convites para deixar o país, mas preferiu ficar. Segundo Lula, quando pediram seu passaporte, ele o entregou, e Flávio deveria ter feito o mesmo.

O presidente afirmou ainda que a família Bolsonaro considera o Brasil sua segunda pátria e que sua primeira devoção são os Estados Unidos. Disse que o senador não deveria alegar no exterior que o Brasil não é uma democracia: “Se o Brasil não tivesse democracia, um miliciano não poderia ser candidato à presidência da República”.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), questionado por jornalistas após a comemoração, classificou como “incompreensível” a atitude de Flávio depois da derrota no segundo turno. “Nunca vi uma coisa parecida com isso”, disse. Alckmin afirmou que o senador deveria aceitar o resultado: “É a vida que segue, essa é a democracia”.

Flávio deixou o Brasil depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que entregasse os passaportes comum e diplomático. Como os documentos não foram apresentados no prazo, a Polícia Federal os cancelou. Na 2ª feira (26.out), antes de surgirem informações sobre sua saída, o senador havia dito que nunca pensara em deixar o país e que entregaria os passaportes. Durante o evento, Lula também acusou plataformas digitais, o mercado financeiro e o governo dos Estados Unidos de terem atuado contra sua reeleição e repetiu que “o Brasil não é quintal de ninguém”, frase que tem usado desde o início das tensões com Donald Trump (Partido Republicano).

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