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O que pode ter provocado a colisão entre trens de alta velocidade que matou ao menos 68 na Espanha


Colisão entre dois trens de alta velocidade na Espanha deixou ao menos 68 mortos e dezenas de feridos. (Foto: Instagram)

Ao menos 68 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas quando dois trens de alta velocidade que viajavam entre Madri e Sevilha colidiram perto de Urda, na província de Toledo. O local fica a cerca de 120 km da capital, segundo o relato inicial, e a aproximadamente 140 km ao sul de Madri, conforme os detalhes do acidente.

O ministro dos Transportes espanhol, Óscar Puente, disse que uma falha no sistema automatizado de gestão do tráfego ferroviário interrompeu a circulação na região. Do centro de controle da estação de Atocha, em Madri, foi autorizada a retomada de um trem da Renfe, que atingiu a traseira de uma composição da Iryo ainda parada nos trilhos. Puente chamou a decisão de “inexplicável”.

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O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, prometeu esclarecer o ocorrido e apurar se houve negligência ou falhas. Ele afirmou que “não é aceitável” que o país enfrente dois acidentes graves com trens de alta velocidade em menos de um ano. Em 18 de janeiro deste ano, outro desastre na mesma linha deixou 46 mortos e cerca de 300 feridos.

O sistema LZB, que administra o tráfego ferroviário naquele trecho, parou de funcionar às 8h30, no horário local, devido a uma falha de comunicação entre computadores da rede. Com isso, os trens foram paralisados automaticamente. O centro de controle de Atocha passou a comandar o segmento afetado, de cerca de 69 km, e, por volta das 8h36, autorizou o trem da Renfe a voltar a circular normalmente.

Segundo Puente, os protocolos e as regras da ADIF não permitiam essa retomada: o circuito estava ocupado pelo trem da Iryo, parado na entrada da estação, e havia um sinal vermelho. Se fosse necessário avançar, o trem deveria seguir em “marcha à vista”, a menos de 40 km/h, para que o maquinista pudesse parar diante de qualquer obstáculo. O ministro também relatou que outro trem recebeu autorização equivocada para seguir sem restrições, mas seu maquinista corrigiu o controlador e informou que deveria avançar em velocidade reduzida.

A colisão aconteceu por volta das 8h54. O trem da Renfe, que partira de Madri para Sevilha, atingiu a traseira da composição da Iryo, que fazia o mesmo trajeto. A velocidade no momento do impacto não foi divulgada; em condições normais, os trens podem chegar a 200 km/h naquele trecho. O choque lançou vários vagões por um talude ao lado dos trilhos.

Passageiros descreveram cenas de caos. Eduarda, estudante de 17 anos que viajava em um dos trens, contou à rádio Cadena SER que as pessoas começaram a sair e que havia passageiros chorando e mortos sob as composições. Ambulâncias e equipes de emergência foram enviadas de Madri e Toledo, e o governo mobilizou integrantes da Unidade Militar de Emergências (UME). A Renfe transportava 393 passageiros e a Iryo, 147, entre eles um bebê.

O líder do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, cobrou informações sobre o estado da infraestrutura, dos trilhos e dos sistemas de segurança, além de esclarecimentos sobre alertas recebidos desde Adamuz e medidas adotadas. O Sindicato Ferroviário considerou “prematuro” e “irresponsável” atribuir a colisão a erro humano antes da conclusão das investigações. Puente afirmou que a falha do LZB pode ocorrer, embora não diariamente, e que há procedimentos previstos para esses casos. O sistema funciona desde a inauguração da linha, em 1992, e está sendo substituído pelo ERTMS, mais moderno; segundo o ministro, o LZB é amplamente testado e comprovado.

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