Servidores de São Paulo terão de usar reconhecimento facial para acessar o Smart Sampa

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Prefeitura de São Paulo exigirá reconhecimento facial para acesso ao Smart Sampa após vazamento de dados. (Foto: Instagram)

Servidores da Prefeitura de São Paulo precisarão usar reconhecimento facial para entrar no sistema de câmeras do Smart Sampa. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) anunciou a medida nesta terça-feira (27), após o vazamento de dados que expôs informações sigilosas e permitiu acesso indevido a câmeras da plataforma.

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A exigência foi anunciada uma semana depois da exposição de informações do Smart Sampa e do acesso a mais de 58 mil câmeras, conforme reportagem do portal UOL. Segundo a publicação, dados sigilosos ficaram expostos por 11 meses, período em que imagens de equipamentos ligados ao sistema puderam ser acessadas indevidamente. As câmeras estão instaladas em locais como ruas, escolas, creches e hospitais da capital paulista.

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A Prefeitura de São Paulo confirmou o vazamento e informou que retirou o repositório do ar, mas negou que tenha ocorrido uma falha de segurança. De acordo com a administração municipal, a divulgação ilegal dos dados foi feita por um agente que tinha autorização para acessar o sistema. Ricardo Nunes afirmou que o servidor está sendo investigado: é um funcionário concursado que entrou no poder municipal em 2023. O prefeito disse que ele está afastado e que o processo deve levar à demissão, acrescentando que a Prefeitura já monitorava o caso.

Especialistas em cibersegurança criticaram a falta de autenticação em dois fatores, recurso adotado depois do vazamento. Nunes voltou a negar que o episódio tenha sido resultado de uma falha estrutural no sistema e afirmou: “Não houve invasão”.

O reconhecimento facial também será exigido dos promotores do Ministério Público de São Paulo, que firmou uma parceria de cooperação com a Prefeitura para acessar o sistema de monitoramento. As câmeras do Smart Sampa são usadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público. A plataforma também deverá auxiliar na identificação de agressores domésticos que ainda não tenham sido notificados pela Justiça sobre medidas protetivas.

Com mais de 50 mil câmeras públicas e de parceiros privados, a rede é uma das principais iniciativas municipais para prevenir e combater crimes nas ruas. O Smart Sampa, uma das bandeiras da gestão de Ricardo Nunes (MDB), combina milhares de câmeras espalhadas pela cidade com ferramentas de inteligência artificial (IA) para identificar ocorrências policiais. A operação custa até R$ 10 milhões por mês.

Quando identifica um suspeito ou um crime, a IA usa o georreferenciamento das viaturas para apontar a equipe mais próxima e enviar as imagens aos agentes nas ruas. Segundo a Prefeitura, o programa contribuiu para capturar 3.628 foragidos e localizar 284 pessoas desaparecidas. Especialistas defendem o uso de tecnologia na segurança, mas ressaltam a necessidade de fiscalização e de regras. Entre os riscos apontados estão identificações imprecisas, abordagens indevidas e violações de privacidade. Cidades americanas como Baltimore e San Francisco aboliram o uso de reconhecimento facial por órgãos públicos.