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Em luto, Espanha exige respostas por falha “inadmissível” em tragédia ferroviária


Espanha decreta três dias de luto após colisão entre trens que deixou ao menos 68 mortos. (Foto: Instagram)

A Espanha inicia nesta quinta-feira (29) três dias de luto pela morte de pelo menos 68 pessoas na colisão entre dois trens, ocorrida na véspera. Equipes de resgate seguem procurando vítimas nos vagões destruídos. As autoridades também registraram 108 feridos, dos quais 58 foram hospitalizados. O ministro dos Transportes, Óscar Puente, classificou como “inadmissível” a falha na gestão do controle do tráfego.

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O acidente aconteceu na manhã de quarta-feira (28), por volta das 8h53, a cerca de 150 quilômetros ao sul de Madri. Um trem da estatal Renfe, que viajava da capital em direção a Sevilha, atingiu a traseira de uma composição da empresa privada Iryo, parada na linha. O desastre, o segundo ferroviário registrado no país neste ano, reacendeu o debate sobre a segurança da malha espanhola.

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Segundo Puente, uma falha informática no sistema de sinalização, por volta das 8h30, provocou a parada automática de seis trens que circulavam na região, incluindo os dois envolvidos na colisão. Minutos depois, o centro de controle autorizou a Renfe a retomar o trajeto. O ministro descreveu a decisão como “errada” e “inexplicável”. Em cerca de 15 minutos, o trem percorreu 25 quilômetros antes de atingir a composição da Iryo. A velocidade do impacto ainda não foi determinada, e a batida ocorreu em um trecho reto da linha.

Puente afirmou que o centro de controle teve “tempo de sobra para verificar o erro, mas não o corrigiu”. A investigação continua, enquanto o governo socialista enfrenta críticas pela gestão da rede ferroviária. O acidente é o mais grave no país desde 2013 e ocorreu menos de um ano após a colisão entre dois trens de alta velocidade em Adamuz, na Andaluzia, que matou 46 pessoas em 18 de janeiro.

A tragédia ocorre a um mês das eleições legislativas antecipadas, marcadas para 29 de novembro pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez. O governo já havia sido alvo de críticas da oposição após o acidente de Adamuz. “Vamos chegar até o fim. E, se houve negligência, a verdade virá à tona”, declarou Sánchez na quarta-feira, no local da colisão. Durante a noite, equipes de emergência removeram partes retorcidas de metal com guindastes e vasculharam os destroços.

Em Urda, no centro-sul da Espanha, parte de uma escola foi preparada para receber familiares à procura de notícias de seus parentes. Pessoas chegavam em lágrimas e eram acolhidas por equipes da Cruz Vermelha. “Serão horas longas e difíceis”, disse a psicóloga Carmen García, que relatou que algumas pessoas estavam em choque, enquanto outras se sentiam revoltadas, tristes e preocupadas. Segundo ela, o processo de luto será complicado.

A Guarda Civil instalou postos de atendimento em Madri, Toledo, Córdoba e Sevilha para receber amostras de DNA de familiares e ajudar a identificar as vítimas. Também foram montados pontos de coleta de sangue em Castela-Mancha e Madri. O pároco de Urda, José Miguel Fernández, prestou apoio às famílias e afirmou que, naquele momento, o essencial era estar ao lado delas. Ele descreveu o local do acidente como um cenário de desolação, desespero, incerteza e morte.

Entre os sobreviventes, o turista peruano Josimar Medina, de 31 anos, contou que viajava com a namorada e acordou “no ar” após o impacto. Pablo Mejía, de 42 anos, disse que a batida pareceu durar uma eternidade e que mudou de vagão em busca de um assento mais confortável. “Acho que nasci de novo”, afirmou, com ferimentos no rosto e o suéter manchado de sangue. As equipes mantinham as buscas nas áreas mais atingidas. Emiliano García-Page, presidente de Castela-Mancha, disse que ainda não se sabia se haveria mais corpos entre os vagões.

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