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Em quatro pontos, como a saída de Flávio para os EUA pode afetar o bolsonarismo


Após deixar o Brasil e seguir para os Estados Unidos, Flávio Bolsonaro se declarou “verdadeiro presidente eleito” e, pouco depois, disse ser “o líder” do País. A afirmação não altera o resultado oficial da eleição, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva. (Foto: Instagram)

Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, declarou-se “verdadeiro presidente eleito do Brasil” em 28 de outubro e, pouco depois, voltou atrás, dizendo ser “o líder” do País. A afirmação constou em uma carta divulgada após o senador deixar o Brasil e chegar aos Estados Unidos. A declaração não tem validade jurídica: a Constituição determina que vence quem obtém a maioria dos votos válidos no segundo turno, e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, reconheceu a vitória de Lula.

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Especialistas avaliam que a saída pode fortalecer a narrativa de perseguição política entre os apoiadores mais fiéis de Flávio, mas também diminuir sua influência e abrir espaço para outras lideranças conservadoras. A cientista política Flávia Bozza, professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), afirma que os bolsonaristas mais alinhados podem interpretar a mudança como um autoexílio diante de um sistema que tentaria impedir a atuação da família Bolsonaro.

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A avaliação pode ser diferente entre eleitores que votaram no senador sem se identificarem diretamente com o bolsonarismo. Para esse grupo, deixar o País depois da derrota pode contrariar declarações anteriores de Flávio e levantar dúvidas sobre sua postura. Na análise de Bozza, parte desses eleitores pode vê-lo como alguém que não cumpriu a palavra ou questionar se há algo associado ao nome do senador.

A distância também pode dificultar a articulação política de Flávio com aliados, ainda que ele continue atuando nas redes sociais. Luiz Domingos, cientista político e professor da Uninter, considera que a saída enfraquece a organização do bolsonarismo. Ele observa que o senador articulava lideranças conservadoras pelo País e que, fora do Brasil, pode perder essa capacidade. Rogério Marinho, senador com papel relevante no Congresso, pode assumir parte dessa articulação, embora, segundo Domingos, não tenha a mesma visibilidade pública de Flávio. O mandato do senador termina em dezembro, o que também pode reduzir sua exposição institucional. “Não existe vácuo na política”, afirma Bozza.

Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, estão entre os nomes que podem ganhar espaço. Domingos vê sinais de reorganização nas manifestações de dirigentes do PL e de Tarcísio, que reconheceram o resultado eleitoral, e em uma publicação de Valdemar Costa Neto, presidente do partido, ao lado de Michelle. Bozza aponta que Tarcísio pode ampliar sua influência com foco na gestão pública, buscando equilibrar a relação com o bolsonarismo e os resultados administrativos. Isso, porém, não significa necessariamente o fim da influência da família Bolsonaro.

A saída também pode levar aliados a se afastarem da ala mais radical. Bozza afirma que integrantes do Centrão podem reavaliar sua relação com o bolsonarismo e priorizar os próprios mandatos e agendas. Segundo ela, parte desse grupo já conversa com o governo e teme perder espaço caso as emendas parlamentares se concentrem em deputados e senadores do PL. Domingos avalia que a mudança pode acelerar a redistribuição de posições na extrema direita, com Michelle, Tarcísio e outras lideranças ocupando funções antes exercidas por Flávio.

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