Matheus dos Santos Farias cria equação inédita para tratar câncer de próstata

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Da matemática à pesquisa contra o câncer: cientista alagoano cria modelo para estudar nanopartículas de ouro. (Foto: Instagram)

O cientista brasileiro Matheus dos Santos Farias, de 26 anos, criou uma equação matemática inédita que poderá ajudar em pesquisas sobre o tratamento do câncer de próstata. Em entrevista ao Só Notícia Boa, realizada ao vivo no Instagram com o jornalista Rinaldo de Oliveira, ele explicou como desenvolveu, sem custo, no próprio computador, uma ferramenta que simula análises de equipamentos laboratoriais que podem custar até US$ 2 milhões. A pesquisa envolve a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), a Universidade de São Paulo (USP), o Hospital Israelita Albert Einstein, a University College London (UCL) e um pedido de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

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Na conversa, Matheus contou que usou programação e inteligência artificial para reproduzir virtualmente parte das análises feitas por aparelhos sofisticados. “Eu consegui pegar o código de machine learning, que é usando IA, e consegui criar esse aparelho dentro do meu computador de forma gratuita, que dá o tamanho dessa partícula de ouro que deve ser colocada na próstata do paciente, a custo zero”, disse ao jornalista. A ferramenta foi feita em Python, linguagem de programação usada em pesquisas científicas e aplicações de inteligência artificial.

A equação, chamada Modelo Padrão Farias (MPF), prevê como o diâmetro de nanopartículas de ouro se altera ao longo do tempo. Nanobraquiterapia é uma tecnologia experimental em estudo para possíveis aplicações contra o câncer de próstata. Uma das possibilidades pesquisadas é ativar as nanopartículas em um reator nuclear para que adquiram propriedades radioativas. O objetivo é estudar formas de levar ou concentrar radiação na região do tumor e atingir células cancerígenas com maior precisão, sem alcançar tecidos saudáveis.

Para pesquisar essa tecnologia, é necessário compreender e controlar características das nanopartículas, como tamanho, distribuição e comportamento durante a fabricação. O MPF usa cálculos matemáticos e simulações computacionais para testar diferentes condições antes da realização de experimentos físicos. De acordo com a CNEN, o sistema também gera imagens sintéticas e representações de técnicas como microscopia eletrônica de transmissão e espalhamento dinâmico de luz, usadas na análise dessas estruturas. As simulações complementam os equipamentos, sem substituí-los integralmente, e podem ajudar a planejar experimentos e reduzir etapas de tentativa e erro.

Nascido em Arapiraca e criado em Girau do Ponciano, no interior de Alagoas, Matheus estudou em escolas públicas e teve dificuldades com matemática quando criança. Aos 18 anos, deixou o estado para estudar em São Paulo e se formou em Física na USP. Durante a pandemia, participou de uma seleção para a pós-graduação em Física Médica no Hospital Israelita Albert Einstein. Ficou em segundo lugar e recebeu uma bolsa integral. O curso custava aproximadamente R$ 74 mil, valor que estava fora de suas possibilidades financeiras.

Durante a formação, Matheus estudou aplicações da Física à medicina, desenvolveu pesquisas e recebeu uma premiação acadêmica por um artigo científico. Depois, retornou à USP para realizar estudos no IPEN, onde desenvolveu o Modelo Padrão Farias durante o mestrado. A pesquisa teve colaboração de pesquisadores do Departamento de Engenharia Química da University College London, no Reino Unido, e recebeu financiamento por meio de bolsa da CNEN. Na terça-feira (27), Matheus informou ter conseguido a patente da descoberta junto ao INPI. O pedido, relacionado ao controle preditivo da síntese de nanopartículas metálicas, foi identificado pelo número BR 10 2026 022701 3.

Matheus afirmou ao Só Notícia Boa que seguirá estudando para que a pesquisa possa, futuramente, ajudar pacientes oncológicos. “Me dedicarei, vou continuar estudando em prol da pesquisa para que essa pesquisa possa ser aplicada futuramente para ajudar todos os pacientes oncológicos. Porque a pesquisa não é só minha, eu fiz mas ela é nossa, é do Brasil, é do povo”, concluiu. Ele continua desenvolvendo estudos que aproximam física nuclear, matemática e medicina, com potenciais aplicações em radioterapia e medicina nuclear.