Nunes Marques e Mendonça se afastam de Flávio Bolsonaro após carta contra eleições

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Nunes Marques e André Mendonça teriam se afastado de Flávio Bolsonaro após carta que questionou o resultado das eleições. (Foto: Instagram)

Kassio Nunes Marques e André Mendonça passaram a evitar associação com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) depois que o senador divulgou, nesta quarta-feira (28), uma carta questionando o resultado das eleições presidenciais de 2026. Entre os dois ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a avaliação é de que ele ultrapassou o limite ao insistir em acusações sem fundamento contra o processo eleitoral.

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No documento, Flávio chegou a se apresentar como “verdadeiro presidente do Brasil”, expressão posteriormente substituída por “líder do Brasil”. A alteração não retirou do texto alegações falsas sobre a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e a carta também provocou desconforto entre outros integrantes da Corte.

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Ministros mais próximos do governo Lula consideraram o documento um gesto absurdo e defenderam que a Justiça Eleitoral o ignorasse. Dois dos quatro magistrados desse grupo avaliaram que o senador tentou provocar instabilidade política com uma narrativa conspiratória baseada em informações falsas. Um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) também criticou a iniciativa: para ele, o uso de um brasão incorreto com a inscrição “Estados Unidos do Brazil (sic)” demonstrava falta de seriedade e despreparo para ocupar a Presidência.

Horas após a carta ser divulgada, Nunes Marques publicou uma nota em defesa da lisura eleitoral. Sem mencionar Flávio, o presidente do TSE reafirmou o compromisso da Corte “com a vontade soberana do eleitorado, que foi às urnas e legitimamente escolheu seus representantes”. Disse ainda que as eleições “transcorreram dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais” e que o pleito foi realizado “com segurança”.

A manifestação pública reforçou o que Nunes Marques já havia dito reservadamente a colegas após a proclamação do resultado do segundo turno. Ele avisou que não daria espaço às reclamações da campanha de Flávio, que não reconheceu a derrota para Lula, e pretende conversar com Edson Fachin, presidente do STF, para coordenar uma resposta às tentativas de contestar o resultado. Na sessão plenária de quinta-feira (29), a primeira após a carta, os ministros do TSE não comentaram o documento e seguiram a pauta prevista.

O afastamento no tribunal ocorre junto ao isolamento político de Flávio. Após a derrota, ele deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos, apesar de ter declarado anteriormente que não fugiria do país. A viagem, feita após uma operação de despiste, surpreendeu até aliados. Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial, afirmou que nem ele nem o PL dispõem de elementos para alegar fraude. Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador reeleito de São Paulo, também defendeu o reconhecimento da vitória de Lula e declarou que “o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”.

O distanciamento alcançou também a equipe jurídica da campanha: a viagem aos Estados Unidos teria ocorrido sem o conhecimento prévio dos advogados que atuavam na defesa eleitoral do senador. Maria Claudia Bucchianeri, que o representou no TSE, informou a um interlocutor que não pretende protocolar novas ações em nome dele. Segundo o relato, o trabalho profissional estava ligado à campanha, encerrada em 25 de outubro, data do segundo turno.