
Editorial do Wall Street Journal acusa o governo Lula de retaliação política contra Flávio Bolsonaro e critica decisões do STF. (Foto: Instagram)
O Wall Street Journal publicou na 4ª feira (28.out.2026) um editorial que acusa o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de retaliar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na disputa pela Presidência. Com o título “To Brazil’s Victor Goes Political Revenge” (“Ao vencedor do Brasil, a vingança política”), o texto afirma que Lula busca “vingança política” e que o Supremo Tribunal Federal “censura seus críticos”.
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O editorial aborda a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a apreensão dos passaportes de Flávio por risco de fuga. Segundo o jornal, o senador não foi formalmente acusado de crime, mas teria motivos para acreditar que não receberia um julgamento justo caso fosse denunciado. O texto afirma que, embora se espere que vencedores políticos tratem com gentileza os derrotados, no Brasil “eles processam” os adversários.
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O jornal cita uma fala de Lula em um debate de campanha, na qual o presidente teria dito que Jair Bolsonaro enfrentaria investigações depois de perder a imunidade parlamentar. “Lula escolheu o homem e prometeu encontrar o crime”, afirma o editorial. O texto acrescenta que cabe ao procurador-geral decidir sobre a abertura de processo criminal contra um político federal, mas acusa Moraes de ampliar sua jurisdição quando isso lhe é politicamente conveniente.
Flávio é investigado em 2 inquéritos no Supremo. Um deles, relatado por Moraes, apura possível lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas. O outro examina o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL). O senador nega irregularidades nos dois casos.
O editorial também menciona a condenação do ex-presidente por liderar a tentativa de golpe de Estado em 2022. Classifica a votação como “tendenciosa” e elogia o ministro Luiz Fux, que votou pela absolvição de Bolsonaro de todos os 5 crimes atribuídos a ele pela Procuradoria Geral da República. O jornal ainda diz que os Estados Unidos concederam vistos a Flávio e à família, em uma “oferta justificável de proteção política”.
Na avaliação do Wall Street Journal, Flávio se soma a jornalistas, blogueiros e formadores de opinião dissidentes que escolheram o exílio em vez de correr o risco de serem presos após o STF anular a condenação de Lula por corrupção e iniciar a censura a críticos. O texto compara esse cenário ao de países que passam da liberdade à autocracia e diz que, embora instituições fortes possam preservar o Estado de Direito, não está claro se o Brasil conseguirá.
Na 3ª feira (27.out), Flávio, a mulher e as duas filhas adolescentes deixaram o Brasil por temer possíveis decisões de Moraes. A Polícia Federal pediu a apreensão do passaporte do senador 7 minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral anunciar o resultado da eleição, às 21h09 de 25 de outubro de 2026. Lula venceu com 64.256.232 votos (51,79%), contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio. Moraes autorizou o pedido da PF e proibiu o senador de deixar o país.
