
Bloco de Netanyahu perde maioria no Parlamento de Israel (Foto: Instagram)
O resultado das eleições israelenses confirmou que o bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu (Likud, direita) perdeu a maioria no Knesset. A apuração, concluída na madrugada desta 6ª feira (30.out.2026), atribuiu 53 cadeiras ao grupo. A oposição conquistou 48 assentos, e os partidos ligados a líderes árabes ficaram com os outros 19, em um resultado histórico.
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O Parlamento tem 120 cadeiras, e são necessários ao menos 61 assentos para formar uma coalizão de governo. Os partidos terão de negociar alianças para alcançar esse mínimo. Até que as conversas avancem e uma nova administração seja formada, Netanyahu permanecerá como primeiro-ministro interino.
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A principal dúvida é se os partidos oposicionistas, que fizeram campanha para tirar Netanyahu do poder, aceitarão formar uma aliança com as siglas de líderes árabes. Outra possibilidade seria deixarem de lado promessas eleitorais e integrarem um governo de unidade com o atual premiê.
O parlamentar centrista Yair Lapid pediu “paciência” em uma publicação no X e afirmou que “agora vem a parte realmente difícil”. Ele também declarou que, apesar do silêncio, havia movimentações em curso: “Se você quer saber se algo está acontecendo por trás do silêncio que você está ouvindo agora, a resposta é sim”.
Os resultados ainda precisam ser certificados e entregues ao presidente de Israel, Isaac Herzog (Partido Trabalhista, centro-esquerda), na 4ª feira (4.nov.2026). Em seguida, Herzog deverá encarregar um parlamentar de tentar formar o governo. A escolha poderá recair sobre Netanyahu, líder do partido com mais votos, ou sobre outro nome considerado mais adequado pelos dirigentes partidários.
Nesta semana, Herzog disse que fará tudo o que estiver ao seu alcance para evitar uma nova eleição. Caso as negociações para formar um governo fracassem, Israel poderá voltar às urnas no início de 2027. O novo Knesset tem posse prevista para 10 de novembro.
De acordo com a agência AP (Associated Press), centenas de israelenses foram às ruas para pedir que o líder oposicionista e ex-chefe militar Gadi Eisenkot e outros parlamentares se aliem aos partidos árabes.
Horas antes da divulgação dos resultados, Netanyahu e o Likud acusaram, sem apresentar provas, partidos ligados a líderes árabes de terem “roubado” a eleição, possivelmente com o apoio do Qatar. O país rejeitou as alegações, chamando-as de “ridículas e perigosas”. A oposição afirmou que Netanyahu tenta difamar a população árabe, que corresponde a 20% dos habitantes de Israel. A participação recorde de eleitores árabes foi vista como uma reação aos aliados da direita radical do premiê.
O presidente do comitê eleitoral israelense e ministro da Suprema Corte, Noam Sohlberg, disse ter recebido “suspeitas sérias” de interferência estrangeira. Em carta à agência de segurança Shin Bet, afirmou não ter condições de verificar as acusações, mas pediu uma investigação. O comitê pretende receber os resultados em uma semana e declarou que as alegações de violações sistemáticas da integridade eleitoral são infundadas. O Shin Bet disse que a apuração não pretendia “lançar suspeitas” sobre uma parcela da população que votou de forma democrática e legal. Se deixar o cargo, Netanyahu poderá responder às acusações de corrupção que se arrastam há anos e enfrentar uma possível investigação sobre as falhas de segurança anteriores ao ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023.








