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Boulos descarta cortes sociais e chama Flávio de “candidato da Faria Lima”


Boulos afirma que governo Lula não reduzirá programas sociais e critica Flávio Bolsonaro (Foto: Instagram)

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (Psol), afirmou nesta 5ª feira (29.out.2026), em entrevista à Jovem Pan, que o novo governo do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não reduzirá programas sociais como o Bolsa Família e o Pé-de-meia. Nas redes sociais, também criticou o senador e candidato derrotado à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a quem chamou de “candidato da Faria Lima”, e escreveu: “O tesouraço perdeu a eleição!”.

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Boulos disse que há duas maneiras de ajustar as contas: reduzir privilégios “no andar de cima” ou cortar recursos que afetam os trabalhadores. Segundo ele, as urnas escolheram a primeira opção, e o ajuste deve atingir emendas parlamentares, como Lula teria proposto. O ministro afirmou que não se deve “cortar o lombo do trabalhador”. No entanto, o governo federal incluiu no PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual) de 2027 um aumento de R$ 4 bilhões nas emendas individuais e de bancada em relação ao valor de 2026.

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O ministro também defendeu elevar a tributação dos super-ricos. Para ele, o sistema tributário brasileiro apresenta um desequilíbrio entre a proporção da renda e o pagamento de impostos. Embora uma alta na tributação desse grupo tenha sido implementada em 2026, o plano de governo de Lula para 2027 prevê dar continuidade e ampliar o que chama de “justiça tributária”.

Questionado sobre Flávio, Boulos negou que exista “perseguição política” contra o senador e afirmou que ele estaria com medo de responder à Justiça. Segundo o ministro, com o fim do mandato em 2027, Flávio ficará sem cargo político pela primeira vez em 24 anos e perderá o foro privilegiado. Boulos declarou que o senador passou duas décadas protegido pelo foro e, por isso, não teria sido investigado por diversas irregularidades. “Agora, como ficou sem cargo público, bateu medo nele”, afirmou.

Boulos também condenou a viagem de Flávio ao exterior depois de ele receber quase 60 milhões de votos no 2º turno, em 25 de outubro. O ministro classificou a conduta como “vexatória” e disse que não seria digna nem de um síndico de condomínio, muito menos de um candidato à Presidência da República.

Após a vitória de Lula no 2º turno, a Polícia Federal pediu a retenção dos passaportes de Flávio. O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes autorizou a medida e proibiu o senador de deixar o país. Na 2ª feira (26.out), depois de visitar o pai em Brasília, Flávio foi intimado pela PF a entregar os documentos em 24 horas. Ele publicou um vídeo contestando a decisão, negou que pretendesse fugir e prometeu entregar os passaportes, mas não o fez. A PF então cancelou os documentos.

Na 3ª feira (27.out), Flávio atravessou a fronteira terrestre para a Argentina com a mulher e as duas filhas. Os quatro seguiram em voo privado para os Estados Unidos, com uma breve parada no Equador, e chegaram a Miami na manhã de 4ª feira (28.out). Apesar de os passaportes estarem inválidos, ele entrou no país e recebeu do governo Trump vistos com validade de 1 ano. O PT pediu ao STF a prisão preventiva do senador e sua inclusão na lista vermelha da Interpol. Até o momento, porém, não havia pedido de prisão contra Flávio.

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