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“Estados Unidos do Brazil”: manifesto de Flávio traz brasão antigo


Manifesto de Flávio Bolsonaro circulou inicialmente com uma versão antiga do brasão da República. (Foto: Instagram)

O jornalista Paulo Figueiredo compartilhou nesta 4ª feira (28.out.2026), às 16h43, um manifesto do senador Flávio Bolsonaro (PL) com uma versão antiga do brasão da República. O símbolo trazia a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, em vez de “República Federativa do Brasil”. No documento, o candidato derrotado à Presidência contesta o resultado eleitoral e se apresenta como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”.

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Às 16h56, 13 minutos depois, Figueiredo enviou pelo WhatsApp uma nova versão do arquivo, acompanhada da mensagem “Versão com brasão correto”. O brasão da primeira versão foi usado de 1889, ano da proclamação da República, até 1968, durante a ditadura militar. A versão atual traz o nome do país com S, no lugar do Z presente no símbolo antigo.

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O primeiro arquivo foi identificado como discurso_flavio_bolsonaro_brasao_atualizado.pdf; o segundo, como discurso_flavio_bolsonaro_portugues_brasao_oficial.pdf. Ambos têm 3 páginas. No manifesto, Flávio questiona a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no 2º turno, realizado no domingo (25.out), e alega fraude eleitoral, mas não apresenta provas.

O senador agradece ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por acolher sua família e afirma que deixou o Brasil por temer perseguição política. Também diz que pretende liderar a oposição do exterior e divulgar, nos próximos dias, uma estratégia para mobilizar apoiadores. Não foi possível identificar quem elaborou ou alterou o brasão usado no primeiro arquivo.

Na 3ª feira (27.out), Flávio deixou o Brasil acompanhado da mulher e das duas filhas adolescentes do casal. Ele disse sentir-se ameaçado por possíveis decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A Polícia Federal pediu a apreensão do passaporte do senador 7 minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral declarar o resultado da eleição, às 21h09 de 25 de outubro de 2026. Lula venceu com 64.256.232 votos (51,79%), contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio.

Alexandre de Moraes autorizou o pedido da PF para apreender os documentos do senador e impedi-lo de deixar o país. No manifesto, Flávio afirma que a extensão da votação até 19h teria permitido a Lula obter os votos necessários para vencer. Entre 17h e 19h, porém, foram registrados 34.808 votos. Ele também afirma ser alvo de uma “caça às bruxas politicamente motivada” e nega ter fugido: diz que saiu “de um regime de exceção” para poder liderar seus apoiadores.

No texto, Flávio elogia o argentino Milei por sua “coragem, senso de justiça e legalidade” e chama Trump de “grande defensor da liberdade de expressão”. Também recorre a uma tese imprecisa para sugerir que a virada de Lula seria impossível e compara sua situação à de Rui Barbosa, Floriano Peixoto, Charles de Gaulle, Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina. Ele afirma que liderará a oposição do exterior e falará sobre assuntos que, segundo ele, brasileiros não teriam liberdade para abordar.

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