
Flávio Bolsonaro alterou manifesto e trocou a expressão “presidente eleito” por “líder do Brasil”. (Foto: Instagram)
O senador Flávio Bolsonaro (PL) alterou, na 4ª feira (28.out.2026), o manifesto em que se apresentava como “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. A primeira versão da carta foi enviada a jornalistas às 16h43 por Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro nos Estados Unidos. Às 17h51, Flávio publicou outra versão nas redes sociais, na qual se identifica como “líder do Brasil”.
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A mudança aparece logo no início do documento: a frase em que Flávio se dirigia ao povo brasileiro e à comunidade internacional como “verdadeiro presidente eleito” foi substituída por uma apresentação como “líder do Brasil”. Na 2ª página, a afirmação “eu sou o presidente eleito” também foi modificada para “eu sou o líder”.
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Mesmo com as alterações, o senador manteve a alegação de fraude no 2º turno, em que foi derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sem apresentar provas. Seu principal argumento diz respeito à extensão do horário de votação no domingo (25.out.2026). A medida, determinada pelo ministro do STF Cristiano Zanin em resposta a um pedido do PT, levou o encerramento da votação das 17h para as 19h, por causa de problemas de transporte e chuvas. A campanha de Flávio também havia solicitado a prorrogação. Entre 17h e 19h, foram registrados 34.808 votos.
Antes da versão publicada por Flávio, Paulo Figueiredo compartilhou duas cartas. A primeira, enviada às 16h43, trazia no Brasão de Armas a grafia “Brazil” e a expressão “Estados Unidos do Brazil”, usada entre 1889 e 1931. Em 1968, o texto do Brasão foi alterado para “República Federativa do Brasil”. Na segunda versão, enviada às 16h56, já aparecia o Brasão atual. A carta divulgada pelo senador às 17h51 também manteve esse símbolo, mas o chamava de “líder”, não de “presidente eleito”.
Flávio, a mulher e as duas filhas adolescentes deixaram o Brasil na noite de 3ª feira (27.out), cruzaram a fronteira com a Argentina e seguiram para os Estados Unidos, com breve parada no Equador. Na 2ª feira (26.out), por determinação de Moraes, a Polícia Federal intimou o senador a entregar os passaportes. O pedido da PF foi feito 7 minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral anunciar o resultado da eleição presidencial.
O TSE confirmou a vitória de Lula às 21h09: o petista recebeu 64.256.232 votos (51,79%), contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio. A representação da Polícia Federal foi assinada às 21h16, e Moraes autorizou no mesmo dia a apreensão dos documentos e a proibição de Flávio deixar o país. O senador afirmou que sua saída não foi uma fuga, mas uma estratégia política contra o que descreve como perseguição judicial. Agradeceu ao presidente norte-americano Donald Trump (Partido Republicano), disse que fará pronunciamentos regulares e prometeu apresentar uma estratégia para mobilizar apoiadores. No manifesto, elogiou também o argentino Javier Milei, alegou que a prorrogação do horário permitiu a vitória de Lula e afirmou que lideraria a oposição dos Estados Unidos. Comparou-se ainda a Rui Barbosa, Floriano Peixoto, Charles de Gaulle, Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina.
