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Flávio usa cálculo equivocado para chamar vitória de Lula de fraude


Flávio Bolsonaro chamou o resultado das eleições de “fraude eleitoral”, com base em uma teoria incorreta sobre a contagem dos votos. Lula foi reeleito com 4,4 milhões de votos de vantagem. (Foto: Instagram)

O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na disputa pela Presidência, classificou as eleições como “fraude eleitoral” em declaração divulgada nesta 4ª feira (28.out.2026). A alegação se apoia em uma teoria incorreta sobre a contagem dos votos. Foi sua primeira manifestação desde que fugiu do Brasil. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito no domingo (25.out), com 10.376.694 votos a mais do que no 1º turno.

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Flávio atribuiu o crescimento de Lula ao que chamou de “atuação ilegítima” do Supremo Tribunal Federal. “Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos. A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o 2º turno”, declarou em nota à imprensa.

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No dia da votação, o ministro Cristiano Zanin, do STF, determinou que as urnas permanecessem abertas até as 19h, após pedidos das campanhas de Lula e Flávio. Os candidatos recorreram à Justiça alegando problemas para eleitores chegarem aos locais de votação, como falta de ônibus em municípios e dificuldades causadas por chuvas e alagamentos. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, a ampliação teve efeito limitado: 34.808 votos foram registrados depois das 17h, ou 0,8% do total.

A hipótese da “impossibilidade matemática” também ganhou repercussão depois que Elon Musk, dono do X, compartilhou um vídeo contestando os números das eleições brasileiras. A publicação questionava como Lula poderia ter recebido mais de 10 milhões de votos adicionais no segundo turno. O cálculo divulgado considerava que ele teria de obter todos os 4.781.485 votos correspondentes à redução das abstenções e dos votos brancos e nulos, além de 60% dos 9.316.747 votos dados a candidatos da terceira via no primeiro turno.

Essa conta ignora que alguns eleitores podem ter deixado de votar no segundo turno. Também pressupõe que todos os que escolheram Lula ou Flávio na primeira votação repetiram a opção em 25 de outubro. Os resultados oficiais permitem calcular o aumento líquido de votos de cada candidato, mas não revelam a origem individual dos votos.

Lula foi reeleito para um 4º mandato com 64.256.232 votos válidos (51,79%), contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio. Entre os fatores relacionados à virada estão a queda histórica da abstenção no segundo turno, a vitória de Lula em 2 dos 4 maiores colégios eleitorais e a redução da diferença em São Paulo.

A abstenção caiu de 21,08%, em 4 de outubro, para 19,22%, em 25 de outubro, a maior redução já registrada em uma disputa presidencial. Cerca de 3 milhões de eleitores a mais compareceram às urnas. Lula também somou aproximadamente 5,5 milhões de votos adicionais em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia, que, juntos, concentram cerca de 40% do eleitorado brasileiro. O avanço nesses Estados contribuiu para a vantagem final de 4.430.191 votos sobre Flávio.

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