
Leilão da Aneel prevê R$ 8,9 bilhões em investimentos na transmissão de energia (Foto: Instagram)
O último leilão de transmissão de energia de 2026, realizado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) nesta 6ª feira (30.out.2026), resultou em R$ 8,9 bilhões de investimentos estimados para ampliar a rede elétrica nacional. Todos os 8 lotes ofertados na sede da B3, em São Paulo, foram arrematados, com deságio médio de 50,1%.
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Sete dos 8 lotes ficaram com empresas controladas por grupos espanhóis: Celeo Redes e Cymi venceram 2 cada, assim como Neoenergia Transmissão SPE; a Cox Brasil, do Grupo Cox, arrematou 1. O último ativo foi conquistado pela EDP Transmissão Goiás, do grupo português EDP. A Axia Energia (ex-Eletrobras) participou da maioria das disputas, mas não venceu nenhuma.
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Os contratos abrangem a construção e gestão de empreendimentos na Bahia, em Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rondônia e São Paulo. Estão previstos 1.866 km de novas linhas, a continuidade da operação de 483 km existentes e a instalação de 12.694 MVA de capacidade de transformação em subestações. As concessões durarão 30 anos, com entrada em operação prevista entre 42 e 60 meses após a assinatura, marcada para 26 de fevereiro de 2027. A estimativa é de 20.300 empregos.
O critério de escolha foi a menor RAP (Receita Anual Permitida), remuneração fixa recebida pelas concessionárias para construir, operar e manter linhas e subestações. Venceram as propostas com os maiores descontos em relação ao limite definido pela Aneel. O lote de maior valor ficou com a espanhola Celeo Redes, que ofereceu RAP de R$ 377 milhões, com deságio de 50,55%. O projeto prevê R$ 4,1 bilhões em investimentos e 1.167 km de linhas em Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul, com passagem por São Paulo. Axia Energia, Cymi, EDP e o Consórcio Olympus XX, da Alupar Investimento S.A. e Infra 2 Investment, também disputaram o ativo.
Na Região Metropolitana de São Paulo, a Cymi venceu o lote 3 com RAP de R$ 78,7 milhões e deságio de 57,08%. O empreendimento prevê R$ 1,071 bilhão para uma subestação e conexões que aumentarão a capacidade de atendimento à região central da capital. Na Bahia, a Neoenergia Transmissão SPE conquistou a concessão para investir R$ 493,1 milhões em 351 km de linhas e na continuidade da operação de trechos existentes. Na etapa de viva-voz, a RAP final foi de R$ 59,8 milhões, com deságio de 51,21%.
No Paraná, a Cymi arrematou um lote com RAP de R$ 96,4 milhões e deságio de 46,36%. A empresa prevê investir R$ 1,07 bilhão em linhas e melhorias em subestações para ampliar o atendimento à Região Metropolitana de Curitiba. A Cox Brasil venceu o segundo empreendimento no Estado, estimado em R$ 480,3 milhões, com uma proposta de RAP de R$ 37,8 milhões e deságio de 53,46%. Na disputa por viva-voz, superou a francesa Engie. Na Paraíba, a Neoenergia Transmissão SPE investirá R$ 665,3 milhões na construção de 113 km de linhas e subestações no Sertão, com RAP de R$ 68 milhões e deságio de 38,55%.
Em Rondônia, a Celeo venceu o único lote da região Norte, com RAP de R$ 66,6 milhões e deságio de 48,02%. Os R$ 753,2 milhões previstos serão destinados a melhorias em Porto Velho para reforçar a resiliência do sistema de Rondônia e do Acre diante das mudanças climáticas. O lote final, com a maior procura do certame — 8 ofertas —, foi para a EDP Transmissão Goiás. A empresa construirá 126 km de linhas e uma subestação para atender o Nordeste goiano, com investimento estimado em R$ 317 milhões, RAP de R$ 26,5 milhões e deságio de 53,2%. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), afirmou que os projetos reforçam a segurança do sistema, favorecem o escoamento de energia limpa e preparam o país para novas demandas, como data centers e inteligência artificial.
