
Empresário argentino afirma que voo de Flávio Bolsonaro para Miami foi pago por um intermediário. (Foto: Instagram)
O voo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para Miami foi contratado e pago por um intermediário por meio de uma conta bancária nos Estados Unidos. A informação foi relatada à AFP pelo empresário argentino Luis Grande, dono da Baires Fly, companhia responsável pelo transporte. Grande disse que o intermediário é um broker que conhece há 10 anos, mas não revelou sua identidade.
++ Sistema de IA revela como pessoas comuns estão criando novas fontes de renda online
Segundo informações divulgadas inicialmente pelo jornal argentino Perfil, o broker tem dupla nacionalidade argentina e norte-americana e mora na Flórida. Grande afirmou que recebeu US$ 150 mil, cerca de R$ 800 mil, transferidos de uma conta da empresa do intermediário em um banco norte-americano para uma instituição financeira da Argentina. Ele disse não conhecer quem contratou o broker, que, segundo o empresário, também desconhecia essa pessoa antes da operação.
++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein
O New York Times informou que Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca, providenciou o jato particular usado por Flávio. A Casa Branca não se pronunciou oficialmente sobre o assunto. Candidato derrotado nas eleições presidenciais, o senador deixou o Brasil depois de ser intimado pela Polícia Federal a entregar os passaportes, conforme determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Moraes também havia proibido que ele deixasse o território brasileiro.
A decisão ocorreu no contexto de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de empresas de apostas e de evasão de divisas envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz. Na noite de 3ª feira (27.out), o senador, sua mulher, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas adolescentes do casal saíram do Brasil, cruzaram a fronteira com a Argentina e seguiram para os Estados Unidos, com uma breve parada no Equador. Eles chegaram a Miami, na Flórida (EUA), na manhã de 4ª feira (28.out).
O New York Times também noticiou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), autorizou a entrada temporária de Flávio e de seus familiares no país. O senador teria recebido permissão pelo mecanismo conhecido como parole, usado em situações humanitárias urgentes ou de benefício público significativo. Uma autoridade norte-americana afirmou que ele poderá solicitar residência permanente, o green card, posteriormente.
Flávio não reconheceu a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de domingo (25.out). Dos Estados Unidos, publicou uma nota na qual se declarou “líder do Brasil”. Uma versão anterior o chamava de “verdadeiro presidente eleito”, mas o texto foi alterado cerca de uma hora depois. O senador negou ter fugido do país e disse que sua saída fazia parte de uma estratégia política para evitar o que considera perseguição judicial: “Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece”. Sem apresentar provas, também associou a vitória de Lula a um golpe de Estado.
