Israel entra em impasse após eleição, e falta de maioria de Netanyahu pode levar a novas urnas

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Bloco de Benjamin Netanyahu vence eleições legislativas em Israel, mas fica sem maioria no Parlamento; negociações para formar uma coalizão começam. (Foto: Instagram)

Os resultados oficiais das eleições legislativas de Israel, divulgados na madrugada desta sexta-feira (30), confirmaram a vitória do bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, mas sem maioria para governar. A coalizão de direita e extrema direita conquistou 53 das 120 cadeiras do Parlamento (Knesset), enquanto a oposição liderada por Gadi Eisenkot ficou com 48. Os partidos árabes, com 19 assentos, podem ser decisivos nas negociações.

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O Likud, partido de Netanyahu, elegeu 27 deputados e foi a maior força política, mas nenhum dos dois principais blocos chegou aos 61 assentos necessários para formar maioria. A votação teve participação recorde, próxima de 78%, em meio à polarização e às preocupações com a segurança regional e os efeitos dos ataques de 7 de outubro de 2023. As conversas para formar o governo começaram após a divulgação dos números.

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Os resultados finais serão entregues ao presidente Isaac Herzog na próxima quarta-feira (4). Depois de ouvir as recomendações dos partidos com representação parlamentar, ele indicará quem considera mais apto a formar uma coalizão — Netanyahu ou Eisenkot. O indicado terá 28 dias para negociar um governo, com possibilidade de prorrogação por mais 14. Entre as alternativas estão uma coalizão majoritária, um governo minoritário com apoio externo ou uma aliança ampla de união nacional.

Herzog defendeu flexibilidade para evitar que a população volte às urnas em pouco tempo. As negociações, porém, são dificultadas por divergências sobre segurança, religião, a relação entre o Estado e o judaísmo ortodoxo e o futuro das instituições israelenses. Embora os 19 deputados árabes possam definir a formação de uma maioria, a participação ou o apoio deles enfrenta resistência em setores da direita e da oposição.

Eisenkot reconhece que não tem os 61 votos para governar, mas pretende usar a posse do novo Parlamento, marcada para 10 de novembro, para tentar aprovar medidas sensíveis. Entre elas estão o serviço militar obrigatório universal, rejeitado historicamente por partidos ultraortodoxos, e uma comissão nacional para investigar falhas anteriores aos ataques de 7 de outubro de 2023. A estratégia dependeria de apoio ou abstenção dos parlamentares árabes. Avigdor Liberman rejeita qualquer acordo baseado nesse apoio, e Mansour Abbas, líder do Raam, também duvida da viabilidade de um governo minoritário.

Após a votação, integrantes do bloco de Netanyahu divulgaram acusações de que partidos árabes teriam recebido recursos do Catar para financiar compra de votos. As legendas negaram as alegações, assim como o governo catariano negou envolvimento. Eisenkot acusou Netanyahu de tentar “deslegitimar os resultados” sem provas conclusivas. O Shin Bet confirmou investigações sobre possíveis irregularidades, mas disse que elas não visam incriminar coletivamente uma comunidade que participou legalmente do pleito. A Comissão Eleitoral classificou parte das informações como “totalmente infundada” e afirmou que as apurações não alteram a validação oficial do resultado.

A falta de maioria amplia o risco de paralisia política e de novas eleições, após sucessivas disputas antecipadas causadas pela dificuldade de formar coalizões estáveis. O sistema proporcional favorece a fragmentação partidária, enquanto a guerra iniciada após os ataques de 7 de outubro de 2023 e as tensões nas fronteiras tornam o cenário mais delicado. Sem um líder capaz de reunir apoio suficiente nas próximas semanas, Israel poderá voltar às urnas.