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Juros de 10 anos avançam a 15,04%, e mercado aposta em Selic mantida


Ibovespa recua 2,71% e fecha no menor nível desde agosto em meio à cautela com o cenário político e fiscal. (Foto: Instagram)

O mercado financeiro brasileiro enfrentou forte turbulência nesta 4ª feira (28.out.2026), com queda da Bolsa e alta dos juros futuros. O Ibovespa, principal índice da B3, caiu 2,71%, para 170.946,55 pontos, acumulando o 3º pregão consecutivo de perdas. O índice fechou no menor nível desde agosto.

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A incerteza sobre a condução das políticas econômica e fiscal no próximo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no domingo (25.out), esteve entre os fatores que pressionaram os ativos. Investidores aguardam definições sobre a equipe econômica, sobretudo a escolha do próximo ministro da Fazenda, além de medidas concretas para controlar os gastos públicos. Rafael Fonteles (PT) e Geraldo Alckmin (PSB) são nomes cotados.

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A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos, depois de perder a eleição presidencial, também foi acompanhada pelo mercado. O episódio ocorreu em meio à reorganização da oposição após o resultado eleitoral e adicionou incerteza ao cenário político.

As perdas das ações de grandes bancos, que têm peso relevante no Ibovespa, reforçaram a pressão sobre a Bolsa. O desempenho refletiu a cautela dos investidores diante das perspectivas para a economia brasileira e dos riscos relacionados à trajetória das contas públicas.

Na renda fixa, a taxa de juros de 10 anos avançou 13 pontos-base (bps), chegando a 15,04%. Já a NTN-B longa subiu 5 bps e passou a oferecer retorno de IPCA + 7,41%. A elevação das taxas mostra que investidores passaram a exigir uma remuneração maior para manter aplicações de longo prazo.

As expectativas para a política monetária também ficaram em foco. O mercado de opções atribui cerca de 70% de probabilidade à manutenção da Selic na reunião do Copom da próxima semana e aproximadamente 25% de chance de alta em dezembro. As projeções apontam para juros ainda elevados, com influência sobre investimentos e custo do crédito.

Nos Estados Unidos, o Fed (Federal Reserve, o banco central do país) manteve os juros no intervalo de 3,75% a 4,00% ao ano, como esperado pelos investidores. O dólar comercial recuou 0,19%, para R$ 5,3402, movimento contrário ao da Bolsa e que correspondeu à valorização do real frente à moeda norte-americana.

A NTN-B é um título público cuja remuneração reúne a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo e uma taxa prefixada. Quando os juros de mercado aumentam, os preços dos títulos que já estão em negociação tendem a cair.

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