
Major da PM responde a ação penal por suspeita de filmar tenente durante banho em alojamento no Palácio dos Bandeirantes. (Foto: Instagram)
O major da Polícia Militar Leonardo Casabona responde a uma ação penal na Justiça Militar de São Paulo por suspeita de violar a intimidade de uma tenente subordinada. Segundo denúncia da 4.ª Promotoria Militar, ele teria gravado a policial tomando banho no alojamento feminino da Casa Militar, no Palácio dos Bandeirantes. O episódio ocorreu em 9 de outubro de 2024; a denúncia foi apresentada por Giovana Ortolano Guerreiro em 26 de maio de 2026. O processo tramita em segredo de Justiça.
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A acusação afirma que Casabona, então capitão, entrou no alojamento e filmou a tenente sem consentimento. Ela percebeu alguém no banheiro e viu um celular com a câmera voltada para si. Após sair do boxe e se cobrir com uma toalha, encontrou o oficial no corredor com um aparelho nas mãos. Uma imagem do sistema de monitoramento do Palácio dos Bandeirantes anexada ao processo mostra Casabona com um celular. Questionado, ele teria respondido: “Nada, eu iria só zoar”.
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Mensagens anexadas ao processo indicam que o oficial teria pedido desculpas à tenente, negado ter feito algo e dito que queria apenas brincar. Ele também teria afirmado que a respeitava. Em audiência realizada em 8 de outubro, Casabona declarou que tudo não passou de um mal-entendido e de uma brincadeira de mau gosto. A policial relatou ter ficado abalada e passado a noite chorando, temendo que tivesse sido filmada durante o banho.
Dias depois do ocorrido, a tenente contou o que aconteceu à capitã Iara Maria, mulher de Guilherme Derrite, então secretário de Segurança Pública de São Paulo. Iara comunicou o marido, que levou o caso ao governador Tarcísio de Freitas; o governador determinou o afastamento de Casabona da Casa Militar. Em 14 de outubro de 2024, a policial procurou a Corregedoria da PM, orientada por Derrite.
Na mesma data, segundo a Promotoria, Casabona pediu outro telefone funcional, mas não devolveu o aparelho antigo, que dizia estar com defeito, e recusou auxílio para transferir os dados. A Casa Militar não sabia do caso e, por isso, não abriu investigação própria nem apreendeu o celular. A defesa do major aponta possível motivação política. À época, ele e a tenente estavam subordinados ao coronel Henguel Ricardo Pereira, que questionou a participação de Derrite no episódio.
O caso ocorreu em meio a divergências entre Henguel e Derrite. Após assumir como secretário-adjunto da Segurança Pública, Henguel afastou de funções de comando oficiais nomeados pelo ex-secretário. Também houve distanciamento na posse de Glauce Anselmo Cavalli, indicada por Henguel para comandar a PM e primeira mulher à frente da corporação. Paralelamente, dossiês sobre empresas, negócios e antecedentes criminais de uma pessoa próxima a Henguel foram enviados a promotores, jornalistas, policiais e advogados.
Henguel afirmou ter conhecimento dos documentos e disse que foram produzidos para prejudicá-lo enquanto seu nome é considerado para a Secretaria da Segurança Pública no próximo mandato de Tarcísio. Derrite não quis comentar, e Gabriela Manssur, advogada da tenente, não respondeu. A circulação dos dossiês chegou ao Palácio dos Bandeirantes. Segundo relato divulgado, Tarcísio advertiu integrantes da cúpula da Segurança Pública que afastaria os envolvidos se a disputa não terminasse.
Além da ação penal, Casabona recebeu uma repreensão disciplinar após sindicância. Boletim reservado de 18 de maio de 2026, assinado pelo coronel Fábio Possato, atribuiu a ele perturbar a tranquilidade ao golpear o biombo do alojamento feminino. O documento não menciona a suspeita de gravação. A Promotoria atribui ao major o crime do artigo 216-B do Código Penal, de registro não autorizado da intimidade sexual, com pena de seis meses a um ano de detenção. O caso será julgado por um Conselho Especial de Sentença, composto por quatro coronéis e pelo juiz auditor.
