
Luiz Marinho associa discursos da família Bolsonaro ao aumento de relatos de assédio eleitoral (Foto: Instagram)
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, relacionou nesta 4ª feira (28.out.2026) o aumento dos relatos de assédio eleitoral ao discurso político da família Bolsonaro. A declaração foi feita em coletiva em Brasília, após apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) e Flávio Bolsonaro (PL) começarem uma campanha de boicote contra trabalhadores e empresários identificados como eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
++ Sistema de IA revela como pessoas comuns estão criando novas fontes de renda online
“Essa família que está fugindo quase toda para os Estados Unidos estimulou muito ódio, muita raiva, muito preconceito”, afirmou Marinho. O ministro disse que alguns empresários teriam levado esse comportamento para as relações profissionais e pressionado funcionários por causa de suas escolhas políticas. “Alguns empresários, levados no calor dessas lideranças, acabam extrapolando na sua relação profissional”, declarou.
++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein
Marinho afirmou que divergências eleitorais não podem resultar em ameaças, demissões ou outras formas de discriminação. A associação entre o discurso da família Bolsonaro e os episódios foi feita pelo próprio ministro, que não apresentou dados para demonstrar uma relação causal entre as manifestações políticas mencionadas e o aumento dos relatos.
As publicações de apoiadores da família Bolsonaro começaram a circular depois da divulgação do resultado do 2º turno, realizado no domingo (25.out). Lula foi reeleito para seu 4º mandato ao derrotar Flávio. A campanha inclui pedidos de demissão e de não contratação de profissionais, além de chamados ao boicote a pequenos empresários e empreendedores autônomos. Listas de estabelecimentos e prestadores de serviço associados a eleitores petistas são compartilhadas em grupos de WhatsApp de diferentes cidades.
A manifestação do ministro ocorreu depois que o MPT (Ministério Público do Trabalho) informou que os relatos de assédio eleitoral aumentaram após o 2º turno. O procurador Maurício Coentro Paes de Mello disse que o órgão recebeu mais de 1.140 relatos nos 3 dias posteriores à votação. Durante o processo eleitoral de 2026, o total aproximado era de 3.080. Segundo ele, o MPT ainda analisava os registros e não tinha elementos para explicar o aumento. “Entender o porquê isso aconteceu no momento pós-eleitoral é um pouco difícil neste momento”, afirmou.
O ministro anunciou que auditores-fiscais do Trabalho darão prioridade à apuração dos casos, em fiscalização nacional articulada com o MPT, a AGU (Advocacia-Geral da União) e outros órgãos. Empresas mencionadas nos relatos poderão ser chamadas a reuniões com representantes de trabalhadores e sindicatos. Se forem constatadas irregularidades, poderão ser buscadas a reintegração de empregados demitidos por motivação política, reparações financeiras e outras medidas previstas em lei.
“Se demitiu, tem que reintegrar. Se não reintegrar, tem que indenizar”, afirmou Marinho sobre a orientação para as tentativas de conciliação. Ele também disse que o governo estuda criar uma lista pública de empresas responsabilizadas por assédio eleitoral, mas a proposta ainda não foi formalizada. O ministro afirmou que as medidas não visam atingir todo o empresariado e que a proteção deve valer para trabalhadores de qualquer posição política: “Não cabe pressão nem pra lá e nem pra cá”. Também criticou empregadores que ameacem o sustento de funcionários por divergências eleitorais e disse que o governo orientará sindicatos e trabalhadores sobre os canais de denúncia, além de divulgar informações na Carteira de Trabalho Digital.
