
Eventos corporativos movimentaram R$ 813,5 bilhões no Brasil em 2024, e a procura por encontros profissionais continuou crescendo em 2025. (Foto: Instagram)
O setor de eventos, que inclui palestras corporativas, movimentou R$ 813,5 bilhões no Brasil em 2024, o equivalente a 4,6% do PIB, segundo o III Dimensionamento Econômico do Setor de Eventos, divulgado pela Associação Brasileira de Empresas de Eventos (ABEOC Brasil). O estudo estima que a atividade reúne cerca de 300 mil empresas e 12,7 milhões de empregos. A dimensão do mercado se destaca em meio ao avanço da inteligência artificial e à digitalização das relações profissionais.
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A procura por encontros corporativos também cresceu. Dados da plataforma DataEventos divulgados pela ABEOC apontaram alta de 15,96% nos pedidos de orçamento para feiras, congressos, convenções, seminários, reuniões, palestras e workshops entre janeiro e maio de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024. A análise considerou mais de 50 mil solicitações de propostas e 20 mil eventos corporativos realizados entre 2024 e 2025. No cenário internacional, a agência BigSpeak registrou mais de US$ 48 milhões em contratações em 2025, para eventos que alcançaram 9,2 milhões de pessoas. Do total, 88% foram para encontros presenciais; inteligência artificial foi o tema mais procurado. Uma pesquisa da Freeman com a Harris Poll indicou que 82% dos profissionais consideram os ambientes presenciais os melhores para criar relações importantes para o trabalho.
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Com a expansão e a profissionalização do setor, crescem também as expectativas sobre quem transforma conhecimento e experiência em palestras. Ao notar que alguns profissionais, apesar de terem apresentações bem estruturadas, não estavam preparados para administrar a própria exposição pública, as jornalistas Heloísa Paiva e Cláudia Santana criaram um treinamento de comunicação, posicionamento e reputação. A proposta amplia o media training para incluir podcasts, vídeos, redes sociais, relação com contratantes e situações de pressão, além das entrevistas.
Heloísa Paiva, jornalista, fundadora da Press Página e especialista em comunicação e reputação, afirma que uma boa palestra não basta para proteger uma carreira. Segundo ela, comentários em grupos de WhatsApp, reações nas redes sociais, entrevistas e a forma de tratar contratantes também influenciam a imagem do profissional. O palco apresenta o palestrante por uma hora, mas a carreira é construída também nas outras 23 horas do dia.
Cláudia Santana, jornalista e criadora da comunidade Golden Speakers, destaca que estar preparado para palestrar vai além de ter uma apresentação ensaiada. A carreira, avalia, também depende do desempenho em entrevistas, podcasts, diante de câmeras e ao responder perguntas inesperadas. Para ela, situações fora do roteiro revelam se o profissional está pronto para representar a própria marca.
O treinamento aborda clareza e síntese, apresentação profissional, voz e intenção, linguagem corporal, uso de câmera e enquadramento, comportamento e percepção, além do controle da narrativa em momentos de pressão. A programação inclui exercícios, gravações, simulações de entrevistas e perguntas difíceis. A metodologia tem cinco etapas: diagnosticar vulnerabilidades, organizar a comunicação, treinar, corrigir e repetir. Heloísa ressalta que o preparo se mostra especialmente quando o profissional é contrariado, criticado ou surpreendido.
A primeira edição será realizada em 27 de novembro, das 9h às 18h, na Unibes Cultural, em São Paulo, presencialmente e com número limitado de participantes. Cláudia observa que, embora a tecnologia permita criar textos, imagens, apresentações e respostas em segundos, o crescimento dos encontros presenciais reforça a importância de habilidades humanas, como transmitir confiança, comunicar-se com clareza e construir reputação nas relações.
