
Após perder a maioria no Parlamento, o bloco de Benjamin Netanyahu foi acusado por Gadi Eisenkot e por líderes árabes de tentar deslegitimar o resultado das eleições. Os partidos árabes conquistaram 19 das 120 cadeiras, e as suspeitas de interferência estrangeira são investigadas pelo Shin Bet. (Foto: Instagram)
Gadi Eisenkot, principal líder da oposição israelense, e dirigentes de partidos liderados por árabes acusaram o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de usar alegações de interferência estrangeira para contestar o resultado das eleições. A coalizão governista perdeu a maioria parlamentar, enquanto as legendas árabes conquistaram um número recorde de cadeiras.
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O Likud, partido de Netanyahu, afirmou que os partidos árabes “roubaram” a eleição e que eleitores teriam sido “subornados” para votar neles. A agência de segurança interna Shin Bet apura suspeitas de financiamento ilegal do Catar e da Turquia. O Ministério das Relações Exteriores do Catar negou as acusações, classificadas como “ridículas e perigosas”, e denunciou uma campanha de desinformação contra Doha.
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Os resultados finais mostram que nenhum dos dois blocos obteve maioria no Parlamento. A Lista Conjunta e o Ra’am conquistaram, juntos, 19 das 120 cadeiras do Knesset, após uma forte alta na participação dos eleitores árabes. O bloco de Netanyahu ficou com 53 assentos, enquanto o de Eisenkot obteve 48, tornando os partidos árabes decisivos nas negociações para formar o próximo governo.
Na quinta-feira (29/10), o Likud fez as acusações depois que o presidente do Comitê Central de Eleições pediu ao Shin Bet que investigasse “sérias suspeitas” de interferência estrangeira. Os partidos árabes rejeitaram as alegações. A Lista Conjunta classificou a acusação como infundada. Segundo relatos da mídia israelense, uma denúncia recebida pela comissão dizia que o Catar teria financiado iniciativas para elevar a participação eleitoral em comunidades árabes; Doha negou categoricamente.
Críticos de Netanyahu veem a iniciativa como uma tentativa de deslegitimar os partidos árabes e impedir que Eisenkot forme uma aliança com eles, caminho considerado necessário para seu bloco chegar ao poder. O Shin Bet esclareceu que a investigação não tinha como alvo uma comunidade inteira que votou legalmente. Dean Livne, diretor-geral interino da comissão eleitoral, disse não haver fundamento para alegações de violações sistemáticas da integridade da eleição.
Eisenkot afirmou ser cedo para saber o que ocorreu, ou mesmo se houve alguma irregularidade, e acusou Netanyahu de conduzir uma campanha organizada para deslegitimar o resultado. Sami Abu Shehadeh, presidente do Balad e integrante da Lista Conjunta, chamou a denúncia de calúnia racista e acusou o lado derrotado de incitar as agências de segurança a anular a votação.
Netanyahu vinha criticando eleitores e partidos árabes havia dias. No dia da eleição, publicou nas redes sociais que a alta participação árabe era uma “emergência” e uma questão de “vida ou morte” para a direita israelense, além de divulgar imagens geradas por inteligência artificial de eleitores árabes em seções eleitorais. Os árabes israelenses, muitos dos quais se identificam como cidadãos palestinos de Israel, representam cerca de um quinto da população. A votação de terça-feira (27/10) foi impulsionada pelo desejo de derrubar a coalizão governista mais à direita da história do país.
