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Os sinais contraditórios de Donald Trump em relação a Flávio Bolsonaro


Trump diz não reconhecer Flávio Bolsonaro como líder do Brasil, mas autorizou sua entrada temporária nos EUA por razões humanitárias. Também afirmou ter boa relação com Lula e voltou a sugerir fraude eleitoral sem apresentar provas. (Foto: Instagram)

Donald Trump afirmou que não reconhece Flávio Bolsonaro como “líder do Brasil” e declarou ter boa relação com Lula. Ainda assim, autorizou a entrada temporária do senador nos Estados Unidos por razões humanitárias e voltou a sugerir, sem apresentar provas, que houve fraude na eleição brasileira. Informações publicadas pela Reuters nesta sexta-feira (30/10), com base em fontes do governo americano, indicam que Trump não pretende reconhecer a autoproclamação de Flávio, embora autoridades não descartem uma mudança de posição.

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A Casa Branca, porém, teria ajudado a organizar a viagem do senador e de seus familiares. Segundo The Wall Street Journal e The New York Times, Jason Miller, conselheiro de comunicação de Trump, manteve contato com Eduardo Bolsonaro e organizou o voo. O presidente da companhia aérea argentina responsável pela operação disse à AFP que o pagamento foi feito por um intermediário, por meio de uma conta bancária nos EUA.

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A atuação americana provocou questionamentos no Brasil. Nesta sexta-feira, 25 congressistas democratas pediram esclarecimentos ao secretário de Estado, Marco Rubio, sobre eventual apoio de Washington à saída de Flávio. Eles perguntaram se o Departamento de Estado emitiu vistos mesmo após o passaporte do senador ser cancelado pela Polícia Federal e se as autoridades sabiam das restrições judiciais. Também querem saber quem autorizou a entrada dele e da família e se a tramitação migratória foi reconsiderada depois que o governo teve conhecimento das ordens brasileiras.

Flávio deixou o país após o ministro do STF Alexandre de Moraes determinar a entrega de seus passaportes, no contexto de uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro. A decisão mencionou declarações de Eduardo Bolsonaro que, segundo o ministro, apontariam risco de fuga. Na quarta-feira, em uma carta publicada na rede X, Flávio se declarou “presidente eleito” do Brasil, mas depois recuou e suavizou o tom.

Na segunda-feira (26/10), um dia depois do segundo turno, Trump não reconheceu o resultado e classificou a eleição como aparentemente fraudada, sem apresentar indícios. Ele criticou a ampliação do período de votação determinada pelo ministro do STF Cristiano Zanin, mas disse gostar de Lula e ter boa relação com o presidente. No dia 27 de outubro, durante um comício no Texas, voltou a insinuar fraude, comparando o pleito brasileiro à atuação do Partido Democrata nos EUA, novamente sem apresentar provas.

Em 28 de outubro, quando Flávio já havia deixado o Brasil, Trump afirmou que aprovaria sua entrada nos Estados Unidos. Disse conhecer Lula e Flávio, além de conhecer bem Jair Bolsonaro, e declarou que considerava o ex-presidente maltratado. Reportagens da imprensa americana apontaram que Jason Miller ajudou a organizar o deslocamento a partir da Argentina e do Equador. Marco Rubio aconselhou Trump a permitir a entrada, e autoridades dos departamentos de Estado e de Segurança Interna discutiram como fazê-lo legalmente. Flávio chegou a Miami às 10h24, no horário de Brasília. Ele e os familiares receberam autorização temporária pelo mecanismo humanitarian parole, usado em situações humanitárias urgentes ou de relevante interesse público.

Depois da divulgação da carta, Trump disse que não se envolveria na crise política brasileira, embora tenha repetido que considerou a eleição estranha e que os brasileiros foram tratados injustamente. No dia seguinte, afirmou que Lula havia pedido que não tomasse partido e que respeitou a solicitação. Também voltou a mencionar a queda do mercado brasileiro como motivo de preocupação. As perguntas dos parlamentares democratas incluem se o governo americano verificou se Flávio podia deixar legalmente o Brasil e se considerou interromper os procedimentos migratórios diante das restrições impostas pela Justiça.

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