Paulo Henrique diz que negócio com o Master foi acertado em reunião com Ibaneis

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Ex-presidente do BRB afirma à PF que negociação com o Banco Master foi discutida em jantar na casa de Daniel Vorcaro, com a presença de Ibaneis Rocha. (Foto: Instagram)

Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), afirmou à Polícia Federal (PF) que a negociação com o Banco Master foi acertada em uma reunião na casa do banqueiro Daniel Vorcaro, com a participação do então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). Procurada, a defesa de Ibaneis não havia se manifestado, e o espaço permanecia aberto.

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O depoimento foi colhido no último dia 15 e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) junto ao relatório que indiciou Vorcaro e Paulo Henrique por crimes financeiros. Segundo o ex-presidente do BRB, em 24 de setembro recebeu do gabinete de Ibaneis uma mensagem convocando-o para um jantar na casa de Vorcaro. Ele estava na Bahia, mas voltou de Salvador e compareceu ao encontro, no qual havia sete pessoas.

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Paulo Henrique relatou que Ibaneis o apresentou a Vorcaro e pediu que estruturasse uma venda do BRB para o Master. Disse ter ficado surpreso e que, ao tentar sair, ouviu do banqueiro que, por se tratar de um banco público, mudanças de governo poderiam ocorrer e seria necessário um acordo de acionistas que lhe garantisse o controle. O ex-presidente não detalhou os demais participantes nem as conversas.

A PF apontou que o BRB realizou dois aumentos de capital de forma fraudulenta para permitir que fundos e pessoas ligadas a Vorcaro comprassem participação no banco público do Distrito Federal. A fatia teria chegado a 23,5%. Mensagens encontradas no celular de Paulo Henrique indicam, segundo a investigação, que ele direcionou a venda de ações a pessoas ligadas ao banqueiro. A suspeita é que a operação tenha dado lastro ao BRB na tentativa de comprar o Master, barrada pelo Banco Central em setembro do ano passado.

No depoimento, Paulo Henrique afirmou pela primeira vez que foi contrário à operação e que tentou convencer Ibaneis a desistir da venda de participação, por temer uma possível privatização do BRB. Disse que, na manhã seguinte ao jantar, pediu uma conversa e, em reunião no gabinete do governador, argumentou que o banco era estratégico para o Distrito Federal, atendia programas sociais e apresentava resultados expressivos. Questionado pela delegada Janaína Palazzo, responsável pelo caso, respondeu que foi “pego de surpresa”, mas de forma contrária à proposta.

Segundo Paulo Henrique, Ibaneis tratou a operação como decisão do acionista majoritário, o governo do Distrito Federal, e pediu que fossem elaborados modelos. O ex-presidente tentou negociar uma delação premiada, mas a Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitou o acordo. Seu depoimento integra oficialmente a investigação e, portanto, pode ser usado pela PF como elemento de prova, independentemente das tratativas de colaboração.

Ele também defendeu a compra de carteiras do Master pelo BRB, dizendo que fazia parte de uma estratégia de crescimento acordada com Ibaneis e aprovada pelas instâncias de governança do banco. A proposta, segundo ele, era transformar a instituição, que atuava principalmente no Distrito Federal com crédito consignado a servidores, em um banco completo, presente em todo o País e mais rentável. Paulo Henrique é investigado por corrupção; as apurações apontam que ele teria recebido imóveis de luxo em troca da compra de carteiras podres de Vorcaro. A fraude supera R$ 12 bilhões e deixou um rombo nas contas do BRB.