
Reeleito no Piauí com mais de 70% dos votos, Rafael Fonteles afirma que pretende seguir no governo, apesar de ser cotado para o Ministério da Fazenda. (Foto: Instagram)
Após a reeleição de Rafael Fonteles (PT) no Piauí, com mais de 70% dos votos, Luiz Inácio Lula da Silva o chamou de “meu comandante” durante o discurso da vitória. O governador também ganhou destaque na campanha do segundo turno e passou a ser apontado como possível ministro da Fazenda no quarto governo Lula.
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Apesar das especulações, Fonteles afirma que pretende continuar à frente do governo estadual e diz não ter conversado com Lula sobre cargos. Em entrevista à Globonews, declarou que ainda não trabalha com a possibilidade de assumir a Fazenda. Assessores do governador também não confirmaram um convite formal.
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Matemático com pós-graduação em economia matemática, Fonteles é descrito por colegas e analistas como pragmático e ligado a uma ala mais liberal do PT. Para o cientista político Vitor Sandes, da Universidade Federal do Piauí, ele representa uma renovação partidária: combina referências do lulismo com diálogo com eleitores que têm outras demandas.
Sua trajetória na gestão pública começou em 2015, quando Wellington Dias o convidou para comandar a Secretaria da Fazenda do Piauí. Fonteles estudou na escola Dom Barreto, em Teresina, e entrou em primeiro lugar no curso de Matemática da UFPI aos 17 anos. Depois, fundou um cursinho que se tornou o colégio particular CEV, atuou como empresário e foi assessor de investimentos na XP.
Eleito governador em 2022, aos 37 anos, Fonteles foi o mais jovem a ocupar o cargo no Piauí. Na administração, apoiou parcerias público-privadas e concessões de serviços. Entre as principais medidas esteve a transferência dos serviços de água e saneamento à iniciativa privada, com a extinção da Agespisa, decisão que provocou protestos de servidores e críticas de setores da esquerda. O Parque Potycabana também foi concedido, e hospitais estaduais passaram a ser administrados por organizações sociais.
Segundo Sandes, essa atuação contribuiu para que Fonteles fosse visto no PT como mais liberal, mas também favoreceu o diálogo com setores conservadores. O professor ressalta, contudo, que o governador manteve políticas sociais, incluindo ações em educação e agricultura familiar, e implantou monitoramento de políticas públicas baseado em dados.
Fonteles afirma que responsabilidade fiscal é necessária para viabilizar políticas públicas. Em entrevista, disse que Lula tem compromisso com o equilíbrio das contas, embora nem sempre atenda às expectativas do mercado. Caso deixe o governo após a reeleição, o vice Washington Bandeira, ex-juiz e ex-secretário de Educação, assumiria o Palácio de Karnak. Bandeira declarou estar preparado para a missão, mas considerou cedo falar de uma eventual mudança. No Piauí, é visto como alguém que daria continuidade ao estilo de Fonteles, cuja gestão também é associada a avanços na educação e a uma posição entre as melhores do país no Ideb.
