
Dois sobrinhos de Marcinho VP foram presos durante a Operação Cesura, que investiga suspeitas de comunicação entre o traficante e integrantes do Comando Vermelho em liberdade. (Foto: Instagram)
Dois sobrinhos de Marcinho VP foram presos pela Polícia Federal, sob suspeita de transportar mensagens entre o traficante, detido em Campo Grande, e integrantes da cúpula do Comando Vermelho que estão em liberdade. A Operação Cesura também cumpriu uma nova ordem de prisão preventiva contra Marcinho VP.
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A investigação apura como integrantes de uma das maiores facções criminosas do Brasil poderiam manter a comunicação entre lideranças presas e pessoas que continuam em liberdade. As diligências incluem mandados de prisão e de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, além de uma ordem judicial na penitenciária federal onde Marcinho VP está custodiado.
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A Operação Cesura é conduzida pela Polícia Federal (PF) em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF). De acordo com os investigadores, os dois sobrinhos atuariam como intermediários, levando recados de integrantes da facção em liberdade ao familiar preso. As autoridades ainda não divulgaram o conteúdo das mensagens, nem os nomes dos detidos.
Segundo informações apuradas pelo UOL, um dos sobrinhos teria se encontrado com Doca, apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho no Rio de Janeiro e foragido da Justiça, antes e depois de visitar Marcinho VP na prisão. Um dos episódios investigados teria ocorrido em janeiro de 2025: após se reunir com Doca, o suspeito viajou no dia seguinte a Campo Grande para visitar o tio e, depois, retornou ao Rio de Janeiro.
Mensagens analisadas na investigação indicariam que a comunicação entre os envolvidos teria acontecido em outras ocasiões. Conforme a apuração, as visitas teriam sido frequentes até agosto de 2026, incluindo deslocamentos de ida e volta no mesmo dia. Os investigadores também identificaram que um dos sobrinhos ocupa cargo comissionado em uma Câmara Municipal da Baixada Fluminense e teria acumulado, nos últimos dois anos, patrimônio aparentemente incompatível com a renda declarada.
A investigação teve início a partir de provas compartilhadas pela Operação Red Fox, que apura o tráfico internacional de armas de grosso calibre e drogas pela fronteira norte do Brasil. A análise desse material levou à apuração de possíveis conexões entre integrantes do Comando Vermelho em liberdade e pessoas que visitavam Marcinho VP no sistema penitenciário federal.
Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, está preso desde 1996 e cumpre pena na Penitenciária Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. Embora esteja encarcerado, mensagens identificadas pelos investigadores sugerem que membros da facção ainda o reconhecem como uma liderança. A defesa afirma que ele não integra mais o Comando Vermelho e tenta obter sua soltura.
