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Combinação de medicamentos pode melhorar o controle da hipertensão


Estudo brasileiro aponta maior redução da pressão arterial com comprimido que reúne três medicamentos para hipertensão. (Foto: Instagram)

A hipertensão, conhecida como pressão alta, é uma doença crônica que aumenta a pressão nas paredes das artérias e exige mais esforço do coração para bombear o sangue. A condição está entre os principais fatores de risco para AVC, infarto, aneurisma e insuficiência cardíaca. No Brasil, 29,7% dos adultos têm hipertensão, segundo relatório publicado em julho pelo Ministério da Saúde. Cerca de 80,7% dessas pessoas recebem tratamento medicamentoso; 19,3% não usam remédios para controlar a doença.

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Um dos desafios é manter a regularidade no tratamento. Há medicamentos disponíveis gratuitamente pelo SUS, e o diagnóstico pode ser feito com a medição da pressão em consultório ou com exame de MAPA. Ainda assim, estudos indicam que apenas 20% a 40% dos pacientes conseguem manter a pressão controlada. Para isso, cerca de dois terços precisam tomar pelo menos duas classes diferentes de remédios. Esquecimentos e abandono são mais comuns quando a pessoa também convive com doenças crônicas, como diabetes e colesterol alto.

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Para simplificar o tratamento, pesquisadores do Einstein, em colaboração com a Libbs Farmacêutica, a Universidade São Francisco e o Centro Universitário CESMAC, conduziram o ensaio clínico OPTION TREAT. O estudo avaliou um comprimido que reúne candesartana, clortalidona e anlodipino. Embora já existam combinações de dois ou três princípios ativos, esta foi a primeira pesquisa brasileira a incluir clortalidona, diurético cuja eficácia isolada contra a hipertensão já era conhecida. Os resultados foram publicados em agosto de 2025 no periódico JACC: Advances.

Após 12 semanas, a queda média da pressão sistólica foi de 22,6 mmHg entre os adultos que tomaram o comprimido avaliado, ante 18,2 mmHg no grupo de controle, que recebeu valsartana, hidroclorotiazida e anlodipino. A redução ocorreu logo no começo e permaneceu estável durante o acompanhamento. Também foi maior a parcela de pacientes que chegou a uma pressão abaixo de 140/90 mmHg: 69,3%, contra 59,8% no grupo de controle.

A análise inicial reuniu 703 adultos com hipertensão não controlada. Em uma etapa posterior, os pesquisadores avaliaram se sexo biológico, raça e risco cardiovascular influenciavam a resposta. Os resultados foram apresentados em agosto, na Alemanha, durante o ESC, Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia. Em todas as subanálises, a combinação se mostrou superior à terapia de controle, embora a intensidade da redução variasse conforme as características dos pacientes.

Entre as mulheres, a redução média da pressão sistólica em 12 semanas foi de 23,9 mmHg, comparada a 18,7 mmHg entre os homens. A equipe também observou respostas semelhantes entre pacientes brancos, negros e pardos. Independentemente da raça, a queda sistólica média foi 5,48 mmHg maior com o novo tratamento. Os pesquisadores destacam a relevância desse resultado em países miscigenados como o Brasil.

Pacientes de risco cardiovascular baixo ou intermediário tiveram uma redução sistólica média 4,13 mmHg maior que a observada entre aqueles de alto risco. Embora a eficácia tenha sido menor no grupo de maior risco, a estratégia ainda pareceu mais vantajosa que a terapia convencional. Para a cardiologista Patrícia Oliveira Guimarães, que participou do estudo, a resposta favorável foi observada nos diferentes grupos. Ela ressalta que, no atendimento, o importante é acompanhar a evolução de cada paciente e ajustar o cuidado às suas necessidades.

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