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Como o “método Janones” inspira a esquerda fora do Brasil


Estratégia digital de André Janones inspira mobilizações políticas em outros países (Foto: Instagram)

Após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, a mobilização digital organizada pelo deputado André Janones passou a atrair a atenção de setores da esquerda em outros países. A estratégia, baseada em canais de WhatsApp, tarefas distribuídas a apoiadores e enfrentamento direto de adversários, é vista como uma forma de levar mensagens políticas ao eleitor por meio das redes.

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Na França, Antoine Léaument, responsável pela comunicação da França Insubmissa, publicou em 27 de outubro orientações inspiradas no “janonismo” para a campanha de Jean-Luc Mélenchon. Entre as recomendações estão abrir um canal de WhatsApp, distribuir tarefas à militância e responder a adversários com capturas de tela, sem ampliar o alcance das publicações originais. Na Argentina, o canal Ejército del Peronismo, voltado à eleição de 2027, diz se inspirar no Exército do Lula e convoca participantes a cumprir “missões”.

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A repercussão também chegou à Colômbia. Em 26 de outubro, o ex-presidente Gustavo Petro elogiou no X a combinação de articulação pelo WhatsApp e mobilização nas ruas promovida por Janones. O deputado respondeu em espanhol e se colocou à disposição da Colômbia, de seu povo e da esquerda mundial. Segundo o site Metrópoles, ele também foi convidado pela presidente mexicana Claudia Sheinbaum a visitar o país para conversar sobre ações conjuntas, além de receber um convite ligado ao primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez.

Na Espanha, canais de WhatsApp mobilizam simpatizantes de Sánchez. Um deles reunia cerca de 41 mil seguidores na quinta-feira (29), enquanto o Ejército de Sánchez se apresentava como uma iniciativa voluntária inspirada no Exército do Lula. No Brasil, o canal chegou a aproximadamente 10,8 milhões de seguidores durante a campanha. Janones distribuía tarefas como compartilhar vídeos, impulsionar hashtags e convidar outras pessoas, fazendo com que apoiadores levassem as mensagens às próprias redes e conversas.

O cientista político Leandro Consentino, professor do Insper, já apontava antes do segundo turno que o protagonismo de Janones na campanha tornara o deputado uma referência para esse tipo de atuação política. Para ele, estratégias nas redes devem ganhar importância independentemente de quem seja o candidato. A cientista política Tathiana Chicarino, da FESPSP, considera que a mobilização digital precisa estar conectada à presença nas ruas.

Chicarino avalia que Janones pode representar uma mudança na forma de atuação da esquerda, embora esse processo envolva outros atores. Consentino vê vantagem na comunicação provocativa por permitir contato direto com o eleitor, mas alerta para o risco de uma campanha personalista, que privilegie ataques de efeito imediato e deixe em segundo plano a discussão de políticas públicas e ideias.

A cientista política também distingue a mobilização concentrada em uma eleição da construção de uma atuação duradoura. Na avaliação dela, tarefas e apelos urgentes podem funcionar na reta final, mas manter o ritmo por períodos médios e longos é difícil. A repetição de ordens para cumprir missões ou impulsionar conteúdos, afirmou, tem pouca possibilidade de se sustentar continuamente.

A disputa por atenção nas redes já havia levado outros políticos a recorrer ao humor e à provocação. Em 2025, Gavin Newsom, governador democrata da Califórnia e adversário de Donald Trump, passou a parodiar o estilo do presidente republicano. Em 15 de agosto, sua equipe publicou uma montagem no formato de capa da revista Time, com Newsom usando uma coroa e a frase “Vida longa ao rei”. Outras imagens produzidas com inteligência artificial o mostravam no Monte Rushmore e a cavalo com uma bandeira.

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