
Família de engenheira chinesa processa a OpenAI após sua morte e alega que respostas do ChatGPT contribuíram para a redução, sem orientação médica, de um medicamento contra epilepsia. (Foto: Instagram)
A família de Bowen Wan, engenheira de software chinesa de 31 anos que morava em Seattle, nos Estados Unidos, entrou com um processo contra a OpenAI após a morte da jovem. Segundo a ação, o ChatGPT teria incentivado Bowen a reduzir por conta própria a dose de um medicamento para epilepsia, apesar dos alertas sobre os riscos e da orientação inicial para buscar acompanhamento médico.
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A ação por morte indevida foi apresentada na terça-feira (27) contra a OpenAI e seu CEO, Sam Altman. Os familiares afirmam que as respostas do chatbot contribuíram para decisões que colocaram em risco a saúde de Bowen. As alegações ainda serão avaliadas pela Justiça, e a responsabilidade da empresa não foi estabelecida judicialmente.
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De acordo com o processo, Bowen enfrentava problemas de saúde desde 2021, quando um medicamento usado havia anos deixou de controlar adequadamente suas convulsões. Em certo período, ela chegou a ter crises mais de uma vez por dia e precisou se afastar do trabalho na Amazon. Um tratamento posterior reduziu a frequência dos episódios, mas ela temia que os efeitos do remédio sobre a memória, o raciocínio e a comunicação prejudicassem seu desempenho em entrevistas de emprego.
Em janeiro de 2026, Bowen teria conversado com o ChatGPT sobre diminuir a dose diária de 400 para 300 miligramas e, depois, para 200 miligramas. Segundo a ação, embora o sistema tenha recomendado inicialmente que ela consultasse um médico, em conversas posteriores teria apoiado a redução por conta própria e elogiado a decisão de não depender da prescrição profissional.
A família relatou que Bowen passou a usar o chatbot com frequência crescente. Após enfrentar dificuldades para controlar a epilepsia, ela reduziu as atividades sociais e raramente saía de casa, com receio de sofrer uma convulsão em público. As conversas com a ferramenta começaram em 2023, a princípio sobre relacionamentos, seguro e benefícios por incapacidade. Por volta de 2025, segundo os pais, ela enviava cerca de 1.500 mensagens por semana ao sistema. Em uma conversa de março daquele ano, escreveu que às vezes via o ChatGPT como uma amiga.
Bowen foi encontrada morta em fevereiro de 2026, após deixar de atender às ligações. Seus pais, que vivem na China, acompanharam por videochamada o momento em que um amigo foi ao apartamento da filha. A causa oficial foi uma complicação relacionada à epilepsia, identificada como morte súbita e inesperada na epilepsia (SUDEP, na sigla em inglês), condição associada, entre outros fatores, à falta de controle das crises. O médico de Bowen, Nicholas Poolos, afirmou na ação que jamais recomendaria a redução da dose do medicamento.
