Filha de Marielle denuncia racismo em grupo ligado à PUC-Rio

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Luyara denuncia mensagens racistas contra Marielle Franco em grupo ligado à PUC-Rio; universidade apura o caso. (Foto: Instagram)

Luyara denunciou que mensagens em um grupo ligado à PUC-Rio usaram o termo racista “macaca” para se referir a Marielle Franco e questionaram como a ex-vereadora pagou os estudos. A universidade informou que apura o caso e poderá adotar medidas administrativas e legais.

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Em publicação compartilhada com o Instituto Marielle Franco, Luyara afirmou que os comentários são mais uma tentativa de atacar a memória da mãe, assassinada em 2018. Segundo ela, uma das mensagens empregou o termo ofensivo e também questionou como Marielle custeou os estudos universitários.

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Na manifestação, Luyara cobrou respeito, responsabilização e a identificação dos autores das ofensas. Ela ressaltou que Marielle era uma mulher negra que construiu sua trajetória universitária com dedicação aos estudos e compromisso com a transformação social. Para a filha, o episódio não pode ser tratado como brincadeira ou opinião.

Marielle cursou Ciências Sociais na PUC-Rio e foi eleita vereadora do Rio de Janeiro em 2016, como uma das mulheres mais votadas daquele pleito. Antes de assumir o mandato, trabalhou em pautas de direitos humanos e na defesa de grupos vulneráveis. Sua trajetória começou no Complexo da Maré, na zona norte do Rio.

Em nota, a PUC-Rio declarou que recebeu os relatos pela Ouvidoria e pelo Canal Externo de Denúncias e que fará uma apuração interna. A instituição afirmou que poderá tomar medidas administrativas e legais de acordo com os resultados. Também repudiou manifestações discriminatórias, incluindo racismo e injúria racial, e disse ter divulgado um comunicado à comunidade universitária reafirmando o compromisso com a educação antirracista e com a preservação da memória de Marielle. A identidade dos responsáveis pelas mensagens ainda não foi divulgada.

A denúncia ocorre em meio ao debate sobre racismo em ambientes digitais e responsabilização por ofensas em grupos de aplicativos. No Brasil, o racismo é crime inafiançável e imprescritível, e mensagens publicadas em aplicativos podem servir como prova em investigações.

Semanas antes, em 13 de outubro, apoiadores do então candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) fizeram comentários sobre o assassinato de Marielle durante um ato político nas proximidades da PUC-Rio. Vídeos divulgados nas redes sociais mostraram participantes ironizando a morte da parlamentar.

Marielle Franco foi assassinada em 14 de março de 2018, no centro do Rio de Janeiro. Anderson Gomes, motorista que a acompanhava, também morreu no ataque. Os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, apontados como executores, confessaram participação no crime e foram condenados em 2024. Em 2026, o Supremo Tribunal Federal manteve as condenações de outros cinco acusados: Domingos Brazão, Chiquinho Brazão, Rivaldo Barbosa, Ronald de Paula e Robson Calixto. Mesmo após as decisões judiciais, a família continua cobrando a preservação da memória de Marielle.